O ‘day after’ ao tarifaço e os mercados na sexta
O foco do mercado continua na delicada condução da relação comercial entre Brasília e Washington nesse período pré-eleitoral
Os mercados internacionais abriram esta sexta-feira (17) no vermelho, pressionados por uma forte onda de vendas em ações ligadas a chips e inteligência artificial, somada à escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã, que já completam seis dias de ataques consecutivos no Oriente Médio.
Na Ásia, o estrago foi generalizado. A Coreia do Sul liderou as perdas, com o índice Kospi despencando mais de 6,3%, um dia depois de a fabricante de chips TSMC anunciar um investimento bilionário nos Estados Unidos. O Taiex, de Taiwan, caiu cerca de 3,18%.
Tóquio recuou perto de 3,4%, puxado por gigantes de tecnologia, enquanto Xangai e Hong Kong também fecharam em queda. Na Europa, as principais bolsas operam no negativo, com destaque negativo para Paris. Em Nova York, os futuros indicam abertura em baixa para Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq.
No mercado de commodities, o petróleo sobe com força diante do temor de novos bloqueios iranianos no Estreito de Ormuz e da possibilidade dos Houthis tentarem o mesmo no mar Vermelho. O barril tipo Brent avança a 85,74 dólares e o WTI, referência americana, é negociado a 80,65 dólares. Já o bitcoin opera perto dos 63 mil dólares, com leve recuo, enquanto o ether registra alta.
No Brasil, o pregão de quinta-feira (16) fechou com queda de 1,24%, refletindo a confirmação da tarifa extra de 25% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, que passa a valer em 22 de julho, quarta-feira da semana que vem.
O dólar subiu e fechou cotado acima de 5,09 reais. Apesar do susto inicial, o impacto foi um pouco amenizado por uma extensa lista de exceções anunciada pelo governo americano, que deixou de fora itens como carne bovina, café e suco de laranja.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou que a nova tarifa americana deverá atingir cerca de 18% das exportações brasileiras destinadas ao país, ou cerca a 7,4 bilhões de dólares, com base nos embarques de 2024.
O episódio ainda gerou atrito diplomático público, com o chanceler brasileiro classificando de inaceitáveis declarações do secretário de Estado americano, Marco Rubio, sobre as negociações comerciais.
Nesta sexta-feira, o investidor brasileiro segue de olho nos desdobramentos do tarifaço e aguarda a divulgação dos números do IBC-Br, indicador considerado uma prévia do desempenho da economia.
O Congresso entra oficialmente em recesso a partir deste sábado, o que deve reduzir o ruído político, mas o foco do mercado continua na delicada condução da relação comercial entre Brasília e Washington nesse período pré-eleitoral.
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