Janja defende Michelle e Damares: “Misoginia não tem lado”
Primeira-dama diz que solidariedade entre mulheres deve superar divisões políticas, “não importa qual é o campo ideológico delas”
A primeira-dama Janja Lula da Silva manifestou apoio a Michelle Bolsonaro e à senadora Damares Alves (PL-DF), alvos de ataques nas últimas semanas. Em entrevista concedida à Folha de S.Paulo e ao UOL, Janja defendeu que a proteção às mulheres agredidas não deve levar em conta posicionamentos partidários.
“Primeiro, total solidariedade a elas, qualquer mulher agredida não pode soltar a mão, não importa qual é o campo ideológico delas. É importante que se fale isso”, afirmou.
Janja também associou o tema ao Pacto Nacional do Feminicídio, política da qual participa: “No Pacto Nacional do Feminicídio, falo isso: a misoginia não tem lado. Não tem direita, nem esquerda, conservador ou progressista, é uma onda que vem de todos os lados e atinge todas nós igualmente”.
A primeira-dama avaliou ainda que o episódio envolvendo Michelle pode ter ampliado a percepção de mulheres conservadoras sobre violência de gênero.
“A gente se identifica com isso, a gente sabe disso, talvez as mulheres mais conservadoras começaram a entender mais isso a partir desse fato. 43% das mulheres vítimas de violência são evangélicas”, declarou, defendendo a tramitação do projeto de lei que criminaliza atos de misoginia na Câmara dos Deputados.
Damares relata ameaças à filha
Damares Alves, uma das principais aliadas de Michelle, também foi alvo de ataques recentes. Durante reunião da Comissão de Direitos Humanos do Senado no início deste mês, a senadora relatou ter recebido ameaças contra a filha, de origem indígena.
“Essa semana eu tenho sido vítima dos mais terríveis ataques. Disseram que vão matar minha filha. Inclusive eles fazem imagens de como vão matar a minha filha. A minha filha é uma menina indígena. Eu sou mãe de uma menina indígena. E eles simulam imagens que estão empalando a minha filha, que estão decapitando ela. É uma violência política que a gente não consegue imaginar”, relatou Damares.
De acordo com a senadora, as agressões deixaram de se limitar a críticas políticas e passaram a atingir também sua vida pessoal e familiar.
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