EUA criticam decisão do Brasil de expulsar suposto espião russo
Segundo a PF, Cherkasov viveu no Brasil por cerca de 12 anos usando a identidade falsa de Victor Muller Ferreira
O governo dos Estados Unidos criticou a decisão do Brasil de expulsar o russo Sergey Vladimirovich Cherkasov (foto), apontado por Washington como agente da inteligência militar da Rússia.
Em nota divulgada nesta sexta-feira, 10, o Departamento de Estado americano afirmou que a medida enfraquece os esforços conjuntos para combater a interferência estrangeira e pediu cooperação das autoridades brasileiras.
“Os Estados Unidos estão profundamente preocupados com a decisão do Brasil de permitir que um indivíduo com ligações conhecidas com os serviços de inteligência russos deixe o país. Essa decisão prejudica nosso compromisso comum de combater a interferência estrangeira e proteger a integridade de nossas instituições democráticas. Instamos nossos parceiros brasileiros a considerarem o precedente que isso cria e a trabalharem conosco para responsabilizar aqueles que ameaçam nossa segurança coletiva.”
A expulsão de Cherkasov foi publicada no Diário Oficial da União na segunda-feira, 6.
A medida será cumprida após o cumprimento da pena ou eventual liberação pelo Poder Judiciário.
Condenado por falsidade ideológica, ele cumpre pena de cinco anos em uma penitenciária federal de Brasília.
Quem é Cherkasov?
Segundo a Polícia Federal, Cherkasov viveu no Brasil por cerca de 12 anos usando a identidade falsa de Victor Muller Ferreira.
Nesse período, estudou no exterior e tentou ingressar no Tribunal Penal Internacional (TPI), na Holanda, utilizando documentos brasileiros obtidos de forma fraudulenta.
As autoridades americanas afirmam que o russo buscava se infiltrar em instituições internacionais para obter informações sigilosas em favor de Moscou. Cherkasov nega as acusações de espionagem.
Investigação
A PF não conseguiu comprovar que Cherkasov atuava como espião, mas identificou um esconderijo em Cotia (SP) onde havia equipamentos e mensagens supostamente ligados a uma operação clandestina.
O material foi compartilhado com o FBI, que chegou a solicitar sua extradição para os Estados Unidos.
Em 2024, o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou a extradição por entender que ainda havia pendências penais a serem resolvidas no Brasil.
Agora, com a decisão de expulsão, Cherkasov deverá ser enviado à Rússia após deixar o sistema prisional brasileiro.
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