As 11 igrejas misteriosas esculpidas direto na rocha que não permitiam um único erro
No coração da Etiópia, um complexo medieval impressiona pelo planejamento preciso e pelas estruturas escondidas sob o nível do terreno
No coração montanhoso da Etiópia, um conjunto religioso medieval parece ter surgido de dentro do próprio terreno. São estruturas com fachadas, corredores, colunas e janelas que exigiram um planejamento tão preciso que qualquer erro grave poderia comprometer toda a obra, deixando perguntas que atravessam quase nove séculos.
Por que esse conjunto medieval parece impossível à primeira vista?
As construções de Lalibela não se parecem com igrejas erguidas de maneira convencional. Em vários pontos, o visitante observa telhados quase no nível do solo e fachadas inteiras cercadas por fossos profundos, como se os edifícios tivessem sido revelados depois que enormes volumes de pedra desapareceram ao redor deles.
O conjunto reúne 11 igrejas medievais talhadas na rocha e conectadas por trincheiras, corredores e passagens subterrâneas. Algumas permanecem ligadas à montanha, enquanto outras foram isoladas da massa rochosa, formando estruturas monolíticas que parecem edifícios montados, embora façam parte da pedra original.
Como as igrejas de Lalibela foram retiradas de dentro da pedra?
- Escolha de uma área formada por rocha vulcânica suficientemente firme
- Marcação do desenho do telhado sobre a superfície do terreno
- Escavação de trincheiras profundas ao redor do volume que seria preservado
- Descida progressiva do trabalho da parte superior para as áreas inferiores
- Abertura de portas, janelas, corredores, pisos e colunas na própria pedra
- Criação de passagens, canais de drenagem, cavernas e espaços cerimoniais
- Remoção cuidadosa do material sem comprometer as partes já concluídas
Leia também: A lula que brilha no escuro e usa luz como truque para confundir presas e predadores no oceano profundo
Para complementar o tema, o vídeo abaixo apresenta imagens das igrejas, mostra a profundidade das escavações e ajuda a visualizar como fachadas e ambientes inteiros foram produzidos dentro da rocha:
Quem planejou uma obra tão ambiciosa?
A criação do complexo é tradicionalmente atribuída ao rei Lalibela, governante da dinastia Zagwe entre o fim do século XII e o início do XIII. O projeto teria procurado estabelecer uma espécie de “Nova Jerusalém” na Etiópia, oferecendo um importante centro religioso aos cristãos da região.
Segundo a UNESCO, as 11 igrejas representam uma realização artística única por causa de sua execução, tamanho e variedade de formas. O local não é apenas uma ruína histórica: ele continua sendo um importante espaço de peregrinação, celebração e devoção para o cristianismo etíope.
O que os números das igrejas de Lalibela revelam?
O complexo é dividido em dois grandes grupos separados por uma área chamada de rio Jordão, além da igreja de Biete Ghiorgis, que fica isolada, mas conectada às demais por trincheiras. O conjunto foi incluído na Lista do Patrimônio Mundial em 1978 e permanece entre os maiores símbolos da arquitetura medieval africana.
Por que um único erro poderia arruinar toda a construção?
Em uma obra convencional, uma coluna ou parede pode ser demolida e reconstruída. Em Lalibela, cada teto, janela, pilar e corredor fazia parte do mesmo bloco de rocha, por isso qualquer retirada excessiva seria definitiva e poderia comprometer a sustentação de toda a igreja.
Os trabalhadores também precisavam calcular a espessura dos tetos, a posição dos ambientes e o escoamento da água antes de avançar. Com ferramentas manuais, eles retiraram enormes volumes de pedra enquanto preservavam as partes que formariam fachadas, colunas e detalhes internos.

Por que as igrejas de Lalibela ainda desafiam especialistas?
O princípio da construção é conhecido, mas não existem plantas completas ou registros técnicos mostrando quantas pessoas trabalharam no local, quanto tempo a obra levou ou como os cortes foram planejados em áreas tão profundas. Também não há certeza de que todas as igrejas tenham sido criadas durante o mesmo período.
Quase nove séculos depois, o complexo ainda enfrenta erosão, infiltrações e rachaduras provocadas pela água. O grande mistério está em compreender como seus criadores coordenaram geometria, escavação e trabalho manual com precisão suficiente para transformar a rocha em 11 igrejas monumentais.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)