Apple acusa OpenAI de espionagem comercial
Fabricante do iPhone acusa rival de obter informações por meio de ex-funcionários contratados pela empresa de inteligência artificial
A Apple ingressou com uma ação judicial contra a OpenAI, sob a alegação de que a companhia de inteligência artificial buscou e obteve, de maneira intencional e recorrente, dados sigilosos da fabricante do iPhone.
Segundo o Estadão, a empresa afirma que ex-funcionários e atuais colaboradores teriam repassado informações sobre tecnologias e produtos não divulgados ao público. Segundo a Apple, mais de 400 antigos empregados atuam hoje na OpenAI, num momento em que esta se prepara para lançar seu primeiro equipamento físico.
Engenheiro é acusado de acesso indevido
Um dos citados no processo é Chang Liu, que ocupou o cargo de engenheiro elétrico sênior na Apple.
De acordo com a empresa, ele reteve um computador corporativo e identificou uma vulnerabilidade que possibilitava entrar no sistema de armazenamento em nuvem da companhia mesmo depois de deixá-la para trabalhar na OpenAI.
Nos autos do processo, consta que ele comentou o episódio com um antigo colega ainda na Apple: “KKK, descobri que consigo acessar o (armazenamento de rede), muito engraçado”.
A Apple sustenta que, nesse período, Liu já atuava no desenvolvimento de hardware para a concorrente e teria baixado diversos documentos internos classificados como confidenciais.
Ex-diretor de hardware também é alvo
O processo também menciona Tang Tan, que integrou equipes ligadas ao iPhone e ao Apple Watch antes de assumir a direção de hardware na OpenAI e cofundar a io Products.
Segundo a petição, ele teria se valido de codinomes usados internamente na Apple para extrair dados de profissionais ainda vinculados à empresa e que participavam de processos seletivos na concorrente, orientando-os a apresentar peças físicas como baterias e placas lógicas.
Ele também é acusado de ter compartilhado material sobre procedimentos internos de desligamento, usado para orientar novos contratados a evitar as checagens de segurança da Apple na saída da empresa.
A ação cita ainda uma abordagem da OpenAI a um fornecedor da Apple, ao qual teria sido apresentada uma técnica de acabamento metálico tratada como segredo industrial — o parceiro teria entendido que possuía autorização da fabricante do iPhone para tanto.
Jony Ive, que colabora com a OpenAI desde 2023 e hoje comanda os projetos de dispositivos da empresa, não figura formalmente entre os réus, apesar de ter cofundado a io Products ao lado de Tang Tan; a aquisição da io pela OpenAI foi anunciada em maio de 2025.
Em Davos, no mês de janeiro, o diretor de assuntos globais da OpenAI, Chris Lehane, declarou que o novo dispositivo deve chegar ao mercado no primeiro semestre de 2026.
A Apple pede à Justiça a suspensão do uso de seus segredos comerciais, a devolução de materiais internos e indenização pelos prejuízos decorrentes da suposta apropriação indevida de informações e quebra de contrato.
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