Tribunal tcheco autoriza extradição de “neonazista trans”
Caso reacende debate na Alemanha sobre uso da lei de autodeterminação de gênero por condenados
Um tribunal superior de Praga, na República Tcheca, negou nesta terça-feira, 7, os recursos apresentados por Marla-Svenja Liebich, ex-integrante de grupo neonazista do leste da Alemanha, abrindo caminho para sua extradição às autoridades alemãs.
A decisão ocorre após meses de fuga do condenado, capturado em abril na cidade tcheca de Krásná. Liebich ganhou repercussão ao adotar identidade como mulher trans depois de condenado, movimento que reacendeu discussões sobre uso da legislação de identidade de gênero do país.
Condenação e mudança de identidade
Liebich foi condenado em 2023 por incitação ao ódio étnico, injúria e difamação, crimes cometidos quando ainda se apresentava como Sven Liebich, segundo reportagens de jornais alemães. Ex-membro do grupo neonazista Sangue e Honra, ele alterou nome e gênero em seus documentos no fim de 2024, período em que ainda recorria da condenação de primeira instância.
A alteração se apoiou na Lei de Autodeterminação de Gênero alemã, vigente desde 1º de novembro de 2024, que permite mudança de nome e sexo no registro civil mediante simples autodeclaração em cartório, sem exigência de laudos médicos ou psiquiátricos.
A sentença de um ano e seis meses de prisão contra Liebich só transitou em julgado em maio de 2025, já após a mudança de gênero registrada nos documentos.
Inicialmente, Liebich deveria cumprir pena na penitenciária feminina JVA, em Chemnitz, no estado da Saxônia. No entanto, no fim de agosto de 2025, desapareceu antes de se apresentar às autoridades, passando a publicar em redes sociais que estava fora da Alemanha.
A fuga terminou apenas em abril de 2026, quando foi localizado a cerca de 100 quilômetros de Praga; segundo o jornal alemão Mitteldeutsche Zeitung, primeiro veículo a noticiar a prisão, Liebich vestia roupas masculinas e estava com a cabeça raspada no momento da captura, após tentar escapar em um patinete elétrico.
Disputas com a imprensa e repercussão
Antes de mudar de identidade, Liebich fazia críticas públicas ao que chamava de“ideologia de gênero” e chegou a classificar participantes de paradas do orgulho LGBTQ+ como “parasitas”. Também comercializou produtos com frases contrárias ao reconhecimento de identidade trans em crianças.
Após a alteração de documentos, passou a acionar judicialmente veículos de imprensa que mantinham referências a ele no gênero masculino. Em uma dessas ações, perdeu para o jornalista Julian Reichelt, ex-editor-chefe do tabloide Bild, que teve reconhecido o direito de declarar em rede social que Liebich “não é mulher”.
Segundo a DW Brasil, Reichelt escreveu em julho na rede social X: “Qualquer um que acompanhar a cobertura sobre o neonazista Sven Liebich só poderá chegar a uma conclusão: o governo anterior conseguiu forçar praticamente toda a imprensa alemã por lei a dizer uma inverdade e alegar coisas grotescamente falsas. Sven Liebich não é uma mulher”.
Um segundo processo, movido contra a revista Der Spiegel e levado ao Conselho de Imprensa da Alemanha, foi arquivado. O órgão avaliou como provável que a alteração dos dados civis tivesse ocorrido de má-fé, com o objetivo de provocar e ridicularizar o Estado.
Ainda não há definição sobre o tipo de unidade prisional em que Liebich cumprirá a pena após a extradição ser concluída.
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Comentários (1)
Rosa
07.07.2026 18:24"Não há o que não há " kkk