Ex-jogador alemão é criticado por fala sobre seleção africana
Comentários de Bastian Schweinsteiger na ARD sobre a Costa do Marfim geram acusações de estereótipo racial durante a Copa
Comentários feitos por Bastian Schweinsteiger durante a transmissão do jogo entre Alemanha e Costa do Marfim no sábado, 20, motivaram acusações de racismo contra o ex-jogador. O tetracampeão mundial de 2014 descreveu o estilo de jogo marfinense como “pouco ortodoxo” e “selvagem”, classificação que críticos associam a clichês de origem colonial usados historicamente contra atletas africanos.
Repercussão nas redes e na imprensa
A fala de Schweinsteiger, comentarista da emissora pública alemã ARD, motivou reações na imprensa e em redes sociais do país. Segundo a reportagem, o jornalista negro alemão Philipp Awounou escreveu em coluna na revista Spiegel que termos como “selvagem” e “imprevisível” carregam raízes anteriores ao próprio futebol, historicamente usadas para marcar pessoas negras como incivilizadas ou perigosas.
Awounou evitou classificar o ex-meio-campista como racista, afirmando que a fala reflete uma visão difundida entre torcedores e analistas do futebol alemão. Já o criador de conteúdo esportivo Patrick Schnitzler relacionou o episódio a estudos que indicam maior tendência de comentaristas e público a destacar características físicas de jogadores negros em detrimento de aspectos técnicos ou táticos.
Em publicação nas redes sociais após a vitória alemã por 2 a 1, Schweinsteiger reconheceu a “qualidade técnica e física” do adversário, mas não comentou diretamente a repercussão das declarações feitas durante a transmissão. Até a publicação da reportagem, o ex-craque do Bayern de Munique e do Manchester United não havia se manifestado sobre o episódio.
Desempenho em campo contradiz previsão
A atuação da Costa do Marfim em campo destoou da descrição feita pelo comentarista. A seleção africana exibiu organização tática consistente, sobretudo no primeiro tempo, obrigando a equipe comandada por Julian Nagelsmann a recorrer a jogadas pelas laterais e finalizações de longa distância.
O time abriu o placar por meio do capitão Franck Kessié, após jogada de Yan Diomande, ponta do RB Leipzig. A Alemanha buscou a virada e venceu por 2 a 1.
Em sua coluna, Philipp Awounou citou o caso do meio-campista Felix Nmecha, alemão de origem nigeriana nascido em Hamburgo e formado na Inglaterra, para questionar critérios baseados em continente de origem ou cor da pele: “Nosso mundo, e com ele o futebol, se tornaram globais demais para determinar qualidades com base no continente de origem ou na cor da pele”.
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