Senado registra menos diárias do que líder do governo Lula alegou
Justificativa aponta contradição de Jaques Wagner para explicar origem de cerca de 422 mil reais em espécie durante operação da PF
O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), recebeu 336,96 mil reais em diárias do Senado Federal para missões oficiais, no período de 2019 a 2026, segundo dados do Portal da Transparência da Casa.
O montante é menor que os cerca de 422 mil reais em espécie apreendidos pela Polícia Federal (PF) em endereços ligados ao petista, na nona fase da Operação Compliance Zero, na quinta-feira, 18, e aponta uma contradição do senador.
Nesta quinta, o líder do governo afirmou que o valor apreendido é fruto de “diárias legais, declaradas e não utilizadas em missões internacionais oficiais“.
Ainda ontem, em entrevista à BandNews, o senador disse que envelopes com dinheiro que foram localizados pela Polícia Federal em Brasília “eram envelopes com o timbre do Senado Federal, que é quando você recebe a diária em espécie e em dólar”.
Porém, os dados do Portal da Transparência da Casa Alta sugerem que os valores das diárias foram transferidos para a conta bancária do senador, e não entregues em espécie.
Operação contra Jaques Wagner
A Polícia Federal deflagrou na quinta uma nova fase da Operação Compliance Zero, desta vez mirando Jaques Wagner.
Ao todo, buscou-se cumprir 18 mandados de busca e apreensão que foram autorizados pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça na Bahia, São Paulo e no Distrito Federal. Um dos locais da busca foi o hotel Brasília Palace, na capital federal, onde Wagner reside.
Segundo a Polícia Federal, também buscou-se cumprir medidas cautelares diversas da prisão, como proibição de contato entre os investigados e suspensão de passaporte.
“Os fatos investigados podem caracterizar, em tese, os crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro”, informou a PF.
Também foi alvo da PF o empresário Augusto Lima, aliado de Vorcaro. A corporação suspeita que Wagner atuou em favor de Lima no Senado e que, em contrapartida, teria recebido propina da ordem de 3,5 milhões de reais por meio de um imóvel registrado em nome de parentes, entre outras formas de pagamento. Wagner também teria recebido ingressos para shows e feito viagens em jatinhos bancados por Vorcaro.
A PF sustenta que Wagner atuou em favor do Master tanto na chamada “emenda Master”, que visava ampliar o limite coberto pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), quando em outra proposta para ampliar os limites de concessão de crédito consignado.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (2)
Mariad
19.06.2026 17:53Que falta faz o bom e velho jornalismo investigativo! Jornalistas deste site fizeram algumas reportagens nos idos tempos do governo anterior . devo ter lido umas quatro matérias. Estas viagens possuem aquele também bom e velho relatório de viagem que era feito assim que o beneficiario do R$ regressasse? Ou isso é exigido apenas para os mais subalternos? Um jornalisnmo investigativo ia ter grandes estórias. Abraços.
Aldo José Fantelli
19.06.2026 17:49Diárias não usadas não deveriam ser devolvidas?