Roberto Reis na Crusoé: A porta dos 20% da terceira via
Não basta à terceira via fazer uma campanha maravilhosa. Ela também precisa que um dos dois primeiros bata num poste
Há duas maneiras de enxergar os resultados de uma eleição. A primeira é a oficial, apresentada pelos portais de notícias: contar apenas os votos válidos, porque são eles que definem quem vence.
A segunda é a estratégica, usada pelos estrategistas eleitorais para entender os erros e os acertos de uma campanha. É um olhar para o eleitorado inteiro, incluindo quem faltou, votou em branco ou anulou, a partir dos dados da Justiça Eleitoral.
As duas contas estão corretas. Mas respondem a perguntas diferentes.
Os votos válidos mostram o resultado para o eleitor. O eleitorado total mostra o tamanho real de cada força política, de cada grupo, de cada segmento e, sobretudo, quanto espaço ainda existe para os concorrentes crescerem.
É daí que vem uma regra repetida entre estrategistas nas eleições ao mesmo tempo polarizadas e pulverizadas.
Polarizada porque há dois núcleos que agem como herói e vilão. Lado A e lado B. Eles precisam um do outro para engajar suas bases fiéis, como num duelo entre times ou até religiões.
Pulverizada porque há inúmeros outros candidatos, o que fragmenta os votos do terceiro lugar em diante.
Agora, Flávio e Lula ocupam a polarização. Renan, Caiado, Zema e outros tentam abrir espaço para uma terceira via.
A regra é simples: quem alcança 20% de todos os eleitores fica muito perto de assegurar uma vaga no segundo turno. Para não dizer que está cravado, porque tivemos pouquíssimas exceções na história eleitoral recente…
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