Explicação de Wagner sobre dinheiro apreendido é “inconcebível”, diz Glauber Braga
Senador disse que dinheiro apreendido pela PF é fruto de diárias legais e foi criticado por deputado federal da esquerda
O senador Jaques Wagner (PT-BA) disse nesta quinta-feira, 18, que o dinheiro apreendido pela Polícia Federal (PF) em endereços ligados ao parlamentar, na nona fase da Operação Compliance Zero, é “fruto de diárias legais, declaradas e não utilizadas em missões internacionais oficiais”. Entretanto, a explicação não convenceu nem todos os nomes da esquerda. O deputado federal Glauber Braga (Psol-RJ) a criticou no X.
“Acabo de ver a entrevista do senador Jaques Wagner. A explicação sobre o dinheiro encontrado em seu imóvel é inconcebível em qualquer hipótese. Ele fala que a maior parte é fruto de diárias pagas em dólar pelo Senado Federal formalmente. Tratar isso como verdade, é conceber a institucionalização do absurdo“, escreveu o parlamentar do Psol.
“Outro ponto chama atenção. Ele fala da relação com Augusto Lima. Esse empresário comprou uma rede pública de supermercados do governo da Bahia e depois o então Banco Máxima (que se transformou no Master) entrou no negócio ‘pra fazer empréstimos’. Mais uma vez uma privatização iniciando relações injustificáveis”.
Glauber prosseguiu: “A extrema-direita fará muito barulho com esse caso pra que o dinheiro no armário do líder do PL, os seus governadores metidos nos desvios e os ‘pedidos’ de Flávio Bolsonaro ao seu amigão [Daniel] Vorcaro fiquem esquecidos. Que o senador responda por seus atos e relações. Quem enfrenta a extrema-direita corrupta sem rabo preso não tem motivo pra ficar na defensiva”.
Posicionamento de Jaques Wagner
Em nota divulgada no final da tarde desta quinta, Jaques Wagner ressalta que “não é réu, não foi denunciado e não foi acusado em nenhum processo relacionado aos fatos investigados”. “O parlamentar acompanha com tranquilidade o andamento das investigações e mantém a confiança na condução delas”.
A nota prossegue: “Cabe esclarecer que o apartamento mencionado jamais integrou o patrimônio do parlamentar. O senador também nega atuação em favor do Banco Master ou qualquer outra instituição financeira”.
O parlamentar afirma que “permanece à inteira disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos, com a certeza de que a verdade prevalecerá”.
Operação contra Jaques Wagner
A Polícia Federal deflagrou nesta quinta uma nova fase da Operação Compliance Zero, desta vez mirando Jaques Wagner.
Ao todo, estão sendo cumpridos 18 mandados de busca e apreensão que foram autorizados pelo ministro André Mendonça na Bahia, São Paulo e no Distrito Federal. Um dos locais da busca é o hotel Brasília Palace, na capital federal, onde Wagner reside.
Segundo a Polícia Federal, também estão sendo cumpridas medidas cautelares diversas da prisão, como proibição de contato entre os investigados e suspensão de passaporte.
“Os fatos investigados podem caracterizar, em tese, os crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro”, informou a PF.
Também foi alvo da PF o empresário Augusto Lima, aliado de Vorcaro. A corporação suspeita que Wagner atuou em favor de Lima no Senado e que, em contrapartida, teria recebido propina da ordem de 3,5 milhões de reais por meio de um imóvel registrado em nome de parentes, entre outras formas de pagamento. Wagner também teria recebido ingressos para shows e feito viagens em jatinhos bancados por Vorcaro.
A PF sustenta que Wagner atuou em favor do Master tanto na chamada “emenda Master”, que visava ampliar o limite coberto pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), quando em outra proposta para ampliar os limites de concessão de crédito consignado.
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