“Corrupção está no DNA do PT”, diz líder da oposição após operação contra Wagner
A Polícia Federal deflagrou nesta quinta uma nova fase da operação Compliance Zero, desta vez mirando Jaques Wagner
O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), acusou o Partido dos Trabalhadores (PT), do presidente Lula, nesta quinta-feira, 18, de ter corrupto, ao comentar a operação da Polícia Federal (PF) contra o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). Ainda de acordo com o parlamentar do PL, o caso dos crimes envolvendo o Banco Master, de Daniel Vorcaro, teve sua origem no PT baiano.
“O cumprimento de medidas cautelares autorizadas pelo Ministro André Mendonça contra o Senador Jaques Wagner e Augusto Lima mostram o que sempre denunciamos da tribuna do Senado: o caso Master teve sua origem no PT da BAHIA”, escreveu Marinho no X.
“A trajetória empresarial de Augusto Lima está ligada a estruturas econômicas desenvolvidas na Bahia durante o governo petista de Rui Costa, com a privatização da EBAL (CREDCESTA), tendo Jaques Wagner como então secretário de Desenvolvimento Econômico como um dos responsáveis pela operação”.
Ele prosseguiu: “Lula recebeu Daniel Vorcaro no Palácio da Alvorada, fora da agenda oficial, por articulação de Guido Mantega e com a participação de Rui Costa, então Ministro da Casa Civil, e de Gabriel Galípolo, à época já indicado para ocupar a presidência do Banco Central”.
Para o senador, “é preciso apurar profundamente essa reunião e a eventual prática do crime de advocacia administrativa, diante da informação de que Lula teria aconselhado Daniel Vorcaro a manter o Banco Master, em vez de vendê-lo ao BTG Pactual, conforme noticiado pela imprensa”.
Na sequência, Marinho afirma que “a corrupção está no DNA do PT. O partido está envolvido nos principais escândalos de corrupção das últimas duas décadas, como o Mensalão, o Petrolão, os descontos indevidos no INSS, Fundos de Pensão, Correios e, agora, o caso Banco Master”.
O senador diz confiar na condução “serena, técnica e imparcial” do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), das investigações sobre crimes envolvendo o Banco Master.
Mendonça, nas palavras do congressista, “não permitirá a ocorrência de nulidades processuais e de chicanas jurídicas, evitando que se repita o que ocorreu na Operação Lava Jato, quando corruptos confessos foram colocados em liberdade e grande parte dos recursos desviados deixou de ser recuperada”.
Posicionamento de Jaques Wagner
Em nota divulgada no final da tarde desta quinta, Jaques Wagner ressalta que “não é réu, não foi denunciado e não foi acusado em nenhum processo relacionado aos fatos investigados”. “O parlamentar acompanha com tranquilidade o andamento das investigações e mantém a confiança na condução delas”.
A nota prossegue: “Cabe esclarecer que o apartamento mencionado jamais integrou o patrimônio do parlamentar. O senador também nega atuação em favor do Banco Master ou qualquer outra instituição financeira”.
Em relação aos valores em espécie apreendidos, a assessoria do parlamentar diz que “o montante é fruto de diárias legais, declaradas e não utilizadas em missões internacionais oficiais”. “Por fim, o senador Jaques Wagner reitera que permanece à inteira disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos, com a certeza de que a verdade prevalecerá”.
Operação contra Jaques Wagner
A Polícia Federal deflagrou nesta quinta uma nova fase da operação Compliance Zero, desta vez mirando Jaques Wagner.
Ao todo, estão sendo cumpridos 18 mandados de busca e apreensão que foram autorizados pelo ministro André Mendonça na Bahia, São Paulo e no Distrito Federal. Um dos locais da busca é o hotel Brasília Palace, na capital federal, onde Wagner reside.
Segundo a Polícia Federal, também estão sendo cumpridas medidas cautelares diversas da prisão, como proibição de contato entre os investigados e suspensão de passaporte.
“Os fatos investigados podem caracterizar, em tese, os crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro”, informou a PF.
Também foi alvo da PF o empresário Augusto Lima, aliado de Vorcaro. A corporação suspeita que Wagner atuou em favor de Lima no Senado e que, em contrapartida, teria recebido propina da ordem de 3,5 milhões de reais por meio de um imóvel registrado em nome de parentes, entre outras formas de pagamento. Wagner também teria recebido ingressos para shows e feito viagens em jatinhos bancados por Vorcaro.
A PF sustenta que Wagner atuou em favor do Master tanto na chamada “emenda Master”, que visava ampliar o limite coberto pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), quando em outra proposta para ampliar os limites de concessão de crédito consignado.
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