Deputado do PT defende saída de Jaques Wagner da liderança do governo
Para Correia, senador deve se afastar do posto de líder para se dedicar a sua defesa, resguardada "a presunção de inocência"
O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) defendeu nesta quinta-feira, 18, que o senador Jaques Wagner (PT-BA) saia do cargo de líder do governo na Casa Alta, por ser investigado pela Polícia Federal (PF). Wagner foi alvo, na manhã desta quinta, da nona fase da Operação Compliance Zero.
Correia se manifestou pelo X. “O presidente Lula sempre disse: doa a quem doer, a investigação precisa ser feita até o fim! Com as novas informações reveladas pela Operação Compliance não seria diferente. Na condição de investigado, Jaques Wagner deve se afastar da liderança do governo para se dedicar a sua defesa, resguardada a presunção de inocência“, escreveu.
Na publicação ainda, o petista apontou ligações da família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) com o escândalo do Banco Master.
“A Polícia Federal está fazendo seu trabalho, e quem cometeu irregularidades deve responder por elas. Mas é preciso dizer com clareza: essas novas informações não mudam a gênese do escândalo do Banco Master, que é o BOLSOMASTER! Foi Roberto Campos Neto, indicado por Jair Bolsonaro para o Banco Central, que autorizou o Banco Master a funcionar, em 2019”, pontuou.
“Foi sob a gestão de Campos Neto que o Banco Central recebeu alertas e fechou os olhos para sucessivas irregularidades, permitindo o rombo bilionário no crédito consignado de milhares de brasileiros. E foi Ibaneis Rocha, então governador bolsonarista do Distrito Federal, quem tentou usar o BRB, banco público, para socorrer o banco quebrado e cheio de sinais claros de fraude de Vorcaro”, acrescentou.
“Continuo na liderança”
Jaques Wagner disse nesta quinta acreditar que o presidente Lula (PT) não irá afastá-lo da liderança do governo do Senado.
O parlamentar revelou ter conversado com Lula hoje, após ser alvo de mandados de busca e apreensão.
“A liderança do governo fica a cargo do presidente Lula, com quem eu falei hoje, e não acho… sinceramente, é muito difícil que ele mexa na minha posição, pela relação que a gente tem e pela confiança que ele tem em mim. Fez questão de me ligar, se solidarizar comigo, e ele que já teve problemas até maiores do que esse, como eu tive, mas ele muito pior, que foi preso e depois inocentado, e está aí como presidente”, declarou, em entrevista à BandNews.
“Eu continuo na liderança, até que o presidente Lula peça para eu me retirar. Não acho que ele vai fazer isso, mas se ele fizer é um direito dele. O cargo é do presidente da República, o cargo de líder do governo, mas eu falei com ele hoje e ele sequer tocou nesse tema. Então, na minha opinião, ele vai manter. Até porque, repare, isso por enquanto é uma mera investigação, como foi a investigação de 2018 sobre a Fonte Nova”, pontuou.
“Até agora eu não sou réu, não sou culpado, não sou nada. É uma investigação em cima no que eu imagino que a PF encontrou no celular ou em alguma delação de alguém, que eu desconheço quem foi, e vieram conferir comigo. Eu estou absolutamente tranquilo em relação a tudo que eu tenho dizer”.
Operação contra Jaques Wagner
A Polícia Federal deflagrou nesta quinta uma nova fase da operação Compliance Zero, desta vez mirando Jaques Wagner.
Ao todo, estão sendo cumpridos 18 mandados de busca e apreensão que foram autorizados pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça na Bahia, São Paulo e no Distrito Federal. Um dos locais da busca é o hotel Brasília Palace, na capital federal, onde Wagner reside.
Segundo a Polícia Federal, também estão sendo cumpridas medidas cautelares diversas da prisão, como proibição de contato entre os investigados e suspensão de passaporte.
“Os fatos investigados podem caracterizar, em tese, os crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro”, informou a PF.
Também foi alvo da PF o empresário Augusto Lima, aliado de Vorcaro. A corporação suspeita que Wagner atuou em favor de Lima no Senado e que, em contrapartida, teria recebido propina da ordem de 3,5 milhões de reais por meio de um imóvel registrado em nome de parentes, entre outras formas de pagamento. Wagner também teria recebido ingressos para shows e feito viagens em jatinhos bancados por Vorcaro.
A PF sustenta que Wagner atuou em favor do Master tanto na chamada “emenda Master”, que visava ampliar o limite coberto pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), quando em outra proposta para ampliar os limites de concessão de crédito consignado.
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Comentários (1)
Joaquim Duran
18.06.2026 21:41Saída da liderança, e entrada na carceragem...