Clarita Maia na Crusoé: O acerto de contas entre Brasil e EUA
Iniciativas americanas estão em linha com os objetivos da ONU e da certificação ESG
Em menos de duas semanas, três iniciativas adotadas pelo governo dos Estados Unidos redefiniram o enquadramento das relações bilaterais com o Brasil: a designação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como Organizações Criminosas Transnacionais Especialmente Designadas, com sinalização de classificação futura como Organizações Terroristas Estrangeiras; e o resultado de duas investigações conduzidas pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) ao amparo da Seção 301 do Ato de Comércio de 1974, a primeira abrangendo, entre outros temas, desmatamento ilegal e a última, o trabalho forçado nas cadeias produtivas globais.
Em tempos de polarização, existe a tentação de atribuir toda iniciativa internacional desfavorável a divergências ideológicas ou preferências partidárias.
Mas essa explicação, embora confortável, nem sempre é suficiente ou honesta. Para começar, porque a Seção 301 do Ato de Comércio de 1974 não foi considerada ilícita pela Organização Mundial do Comércio.
Essa constatação recomenda cautela antes de se atribuir automaticamente tais iniciativas a motivações exclusivamente políticas.
Se a legitimidade do instrumento utilizado não pode ser descartada, talvez seja mais útil deslocar o foco da origem da medida para os objetivos que ela pretende alcançar.
Imagine o leitor se as mesmas medidas tivessem sido apresentadas por uma organização internacional, por um organismo de certificação ESG, por uma conferência global sobre sustentabilidade ou por um governo do Partido Democrata.
A reação seria a mesma ou haveria um deslocamento do debate para o mérito dos valores sociais e ambientais que as medidas visam assegurar?
Do ponto de vista pragmático, a questão não é se o Brasil…
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