Em Minas, Cleitinho "cava falta" para fugir da eleição; se quiser

25.06.2026

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O Antagonista

Em Minas, Cleitinho “cava falta” para fugir da eleição; se quiser

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Ricardo Kertzman
4 minutos de leitura 05.06.2026 12:16 comentários
Análise

Em Minas, Cleitinho “cava falta” para fugir da eleição; se quiser

Se desistir, afirmará que não foi uma escolha meramente pessoal, mas que o próprio partido lhe sabotou

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Ricardo Kertzman
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Em Minas, Cleitinho “cava falta” para fugir da eleição; se quiser
Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Sempre apontado pelas pesquisas como favorito ao governo de Minas, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) ainda não confirmou sua candidatura ao Palácio Tiradentes. Tampouco a descartou. Entre declarações ambíguas, recuos estratégicos e sinais contraditórios, mantém uma indefinição oportuna – e oportunista – que já dura meses.

Representante acabado da geração dos políticos moldados pelas redes sociais, especialmente o TikTok, Cleitinho construiu uma carreira baseada única e exclusivamente na comunicação direta, nos vídeos curtos e na crítica permanente ao tal “sistema”, já que nunca apresentou propostas ou soluções práticas para as mazelas que jura combater.

Também não conta a seu favor qualquer coerência ideológica ou fidelidade partidária. Em menos de dez anos de vida pública, saiu de vereador em Divinópolis para deputado estadual e, depois, senador da República. Nesse percurso, passou por PPS, Cidadania, PSC e Republicanos. Quatro partidos em aproximadamente uma década.

Um grande fanfarrão

Sem contar que apertou a mão do ex-governador mineiro, Romeu Zema (Novo), e prometeu se filiar ao partido – o que nunca ocorreu. Além, é claro, de ora se posicionar contra o governo federal e ora se postar ao lado presidente Lula, quando a causa lhe interessa eleitoralmente. Cleitinho é o que conhecemos como “Maria vai com as outras”.

Sua principal bandeira, portanto, é uma suposta cruzada contra tudo e contra todos. Seu único projeto aprovado até agora foi uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), que isentou de IPVA os veículos com mais de 20 anos de fabricação. O que seria do Brasil sem Cleitinho e sem algo tão fundamental, não é mesmo?

O problema é que fazer vídeos denunciando privilégios – dos quais participa, aliás – é muito diferente de administrar um estado com mais de 22 milhões de habitantes, quase 900 municípios, uma dívida bilionária com a União, graves problemas fiscais, gargalos de infraestrutura e uma máquina que consome dezenas de bilhões de reais por ano.

Entre tapas e beijos

É justamente nesse ponto que mora a dúvida. Até aqui, Cleitinho teve a vantagem de atuar como fiscal, crítico e cobrador. Governar, porém, exige outra habilidade. Exige formar equipe, negociar com prefeitos, lidar com Assembleia Legislativa, administrar orçamento, estabelecer prioridades e tomar decisões impopulares.

Além disso, o senador sabe que uma candidatura ao governo não encontrará a mesma complacência enfrentada em disputas anteriores. Debates, entrevistas e confrontos diretos com adversários inevitavelmente ampliarão o escrutínio sobre sua trajetória, suas propostas e suas contradições. Não haverá edições e cortes de 1 minuto a lhe ajudarem.

O ambiente interno partidário também já não parece tão pacificado quanto antes. Nesta sexta-feira, 5, duas reportagens de O Fator (links a seguir) – site parceiro de O Antagonista em Minas Gerais – mostraram um duro embate público entre Cleitinho e o presidente nacional do Republicanos, o deputado federal Marcos Pereira.

Desça do muro, Cleiton

Primeiro veio o ataque do senador. Depois, a resposta do dirigente partidário. Quando a principal liderança nacional da legenda passa a reagir publicamente ao seu principal nome em Minas, é sinal de que nem todos estão dispostos a continuar assistindo passivamente à indefinição – e à possível estratégia dissimulada em curso.

Talvez Cleitinho queira mesmo disputar o governo. Mas o tempo começa a jogar contra ele. Por enquanto, além do “lero-lero”, o senador parece fazer o que muitos atacantes fazem quando percebem que a marcação apertou: cava a falta antes de entrar na área. Se a candidatura der errado, dirá que nunca teve certeza.

Se desistir, afirmará que não foi uma escolha meramente pessoal, mas que o próprio partido lhe sabotou. Irá alegar que enfrentou o… sistema! Minas não precisa de candidatos em campanha permanente. Precisa de alguém disposto a governar. E o Republicanos, de um candidato que saia da fantasia digital e pouse no mundo real.

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