“Ainda não” é momento de aplicar Lei de Reciprocidade aos EUA, diz Tereza Cristina
Senadora comentou a proposta do Escritório do Representante Comercial dos EUA de se implementar tarifa sobre importações do Brasil
A senadora e ex-ministra da Agricultura, Tereza Cristina (PP-MS) disse nesta terça-feira, 2, acreditar que “ainda não” é o momento de o Brasil aplicar a Lei de Reciprocidade aos Estados Unidos.
A parlamentar, que foi relatora do projeto de lei que deu origem à norma e defendeu sua aprovação no Congresso, comentou a proposta do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) de se implementar uma tarifa de 25% sobre importações brasileiras.
A proposta é respaldada pela seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O órgão sugeriu a tarifa de 25% após concluir que uma série de atos, políticas e práticas do governo brasileiro são “irrazoáveis” e “oneram ou restringem” o comércio americano.
“Eu falo dessa bendita seção 301 desde o dia que voltamos da missão aos Estados Unidos, há um ano. Que a grande preocupação era saber como essa investigação se daria e onde ela chegaria, porque ela é muito ampla. E ela chegou onde a gente viu. Ela fala em Pix, ela fala em desmatamento, ela fala no aumento de tarifas. Então, é uma preocupação neste momento na relação comercial com os Estados Unidos, e a gente tem uma tarifa de 25% em vários produtos”, pontuou Tereza Cristina, em entrevista a jornalistas.
A senadora ressaltou que, se a tarifa for de fato implementada, inviabilizará a exportação de determinados produtos pelo Brasil aos EUA.
“O que me preocupa e no que eu vou me aprofundar agora é saber se, caso essa proposta seja mantida até 15 de julho, como é a reversão desse processo, com outros países que já tiveram“, falou a parlamentar.
Para a congressista, porém, a Lei de Reciprocidade só deve ser aplicada quando não for mais possível negociar.
“Acho que ainda não [é momento de aplicar]. Eu acho que a reciprocidade é quando você esgota todas as fases de negociação. É claro que o Brasil vai ter que se esforçar um pouco mais nessa negociação, sentar mais à mesa, ter paciência. Agora, esse é um papel do Executivo. Nós aqui podemos ajudar, mas isso é um papel fundamental para o Executivo tratar com os Estados Unidos”, declarou.
Ainda na visão da senadora, há “cunho político” na proposta dos Estados Unidos também, mas é preciso entender melhor a posição do país e “não começar a ver chifre em cabeça de cavalo”. “Então, vamos analisar isso com calma e ver como nós podemos reverter essa situação”.
Tereza Cristina salientou que a diplomacia parlamentar ajuda a melhorar a relação entre os países e defende que seja feito uso dela neste momento também.
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