Dennys Xavier na Crusoé: A alma é treinável
O sujeito que se torna consciente de seus estados internos, que os observa sem ceder a eles, está, de fato, exercendo um poder aristocrático sobre si mesmo
Ao longo dos séculos, a filosofia estoica afirmou com veemência que a liberdade do ser humano não reside nas circunstâncias exteriores, mas no modo como o sujeito se posiciona diante delas.
Essa tese, outrora sustentada por vozes como as de Epicteto, Sêneca e Marco Aurélio, ganha hoje reforço no campo das neurociências: uma confluência inesperada, em tudo bem-vinda, entre os exercícios filosóficos da antiguidade helenística e as investigações empíricas da modernidade tecnológica.
O que os estoicos nomearam hegemonikon (o princípio diretor/orientador da alma racional) parece agora corresponder, em termos neurobiológicos, ao fortalecimento do córtex pré-frontal e à modulação da atividade da amígdala.
A ideia fundamental é a mesma: a possibilidade de governar a si mesmo por meio do cultivo deliberado da razão.
Desde a Antiguidade, o estoicismo sustentou que a tranquilidade da alma (a ataraxia) não é um dom concedido, mas uma conquista da disciplina interior.
Epicteto, escravo liberto e mestre da liberdade filosófica, ensinava que os homens não se perturbam pelas coisas em si, mas pelos juízos que fazem delas. E esses juízos, sendo voluntários, são treináveis.
O sujeito que aprende a interpor a razão entre o estímulo e a resposta deixa de ser escravo das paixões.
Em linguagem moderna, diríamos que esse sujeito fortaleceu as vias neurais da autorregulação emocional, redesenhando as conexões entre seus circuitos límbicos e pré-frontais.
Hoje, a ressonância magnética funcional pode medir, com precisão científica, o que Sêneca já intuía pela introspecção ética: que a repetição disciplinada de uma atitude racional reconfigura a arquitetura do ser.
A prática da atenção plena, por exemplo, ao contrário de…
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