A cidade do interior paulista que deu nome ao sanduíche mais famoso do Brasil e criou o único astronauta do país
O sanduíche e o astronauta que saíram de uma cidade do interior
A 326 km da capital paulista, Bauru é o tipo de cidade que carrega dois títulos improváveis no mesmo currículo. Emprestou seu nome ao lanche mais pedido das padarias do país e viu nascer ali, em 1963, o único brasileiro que já cruzou a estratosfera. A combinação de história ferroviária, vocação universitária e ritmo de interior virou o cenário onde essas duas curiosidades se cruzam.
De aluno bauruense à Estação Espacial Internacional
O tenente-coronel Marcos César Pontes nasceu no dia 11 de março de 1963 em Bauru, filho de uma escriturária da rede ferroviária e de um servente do Instituto do Café. Ainda menino, observava aviões pela cerca do Aeroclube local e prometia à mãe que um dia seria piloto. Cumpriu a parte do contrato em 1984, ao se formar pela Academia da Força Aérea (AFA), em Pirassununga, e depois pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), em São José dos Campos.
O resto da história foi escrito no dia 29 de março de 2006, quando ele embarcou na espaçonave russa Soyuz TMA-8 rumo à Estação Espacial Internacional. Pontes ficou dez dias em órbita executando oito experimentos científicos selecionados pela Academia Brasileira de Ciências, na chamada Missão Centenário, batizada em homenagem aos cem anos do voo do 14-Bis, de Santos Dumont. Detalhes da trajetória estão no perfil oficial do astronauta no Kennedy Space Center.
Em 21 de abril daquele ano, conforme registros da imprensa local consolidados pelo JCNET, o astronauta retornou à terra natal e foi recebido por mais de 5 mil moradores com apresentação da Esquadrilha da Fumaça e carreata em cima de um carro do corpo de bombeiros. Em 2026, a Missão Centenário completa 20 anos e ganhou homenagens no Senado Federal e em Brasília.

Um sanduíche que nasceu em São Paulo mas carrega o nome da cidade
A segunda fama de Bauru é gastronômica, embora a receita tenha sido criada em outro endereço. Em 1937, o estudante bauruense Casimiro Pinto Neto, matriculado na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, frequentava o restaurante Ponto Chic, no Largo do Paissandu, em São Paulo. Apelidado entre os colegas pelo nome da cidade onde tinha nascido, ele pediu ao chapeiro uma combinação inédita: pão francês sem miolo, rosbife, queijo derretido e tomate.
Quando um amigo provou e pediu “um igual ao do Bauru”, nasceu o nome do sanduíche. A receita ganhou picles em conserva e orégano com o passar dos anos e foi oficializada pela Câmara Municipal de Bauru, conforme registra a lei municipal nº 4.314, de 24 de junho de 1998, que estabelece o selo de qualidade da versão original com pão francês, rosbife, tomate, picles, queijo derretido em banho-maria e orégano.
Em 2018, o sanduíche entrou para o seleto grupo de bens imateriais paulistas. O lanche que leva o nome da cidade hoje é encontrado em padarias, lanchonetes e bares em quase todos os estados do Brasil, e o Ponto Chic chega a vender mais de 17 mil unidades por mês na unidade original.

O que ver e provar na Cidade Sem Limites
A Cidade Sem Limites, apelido herdado do tempo em que três linhas ferroviárias se cruzavam ali, reúne natureza preservada, memória ferroviária e cultura urbana. Entre os passeios mais procurados para um fim de semana, vale conhecer:
- Jardim Botânico Municipal: 321 hectares de cerrado preservado com trilha ecológica, lagos e entrada gratuita, aberto desde 1994 segundo a Prefeitura Municipal de Bauru.
- Museu Ferroviário Regional de Bauru: instalado na antiga Estação Noroeste do Brasil, reúne locomotivas, vagões e documentos do auge dos trens. Entrada gratuita.
- Parque Vitória Régia: cartão-postal da cidade, com lago, anfiteatro flutuante, Casa da Cultura e o Aquário Municipal.
- Zoológico Municipal: um dos maiores do interior paulista, com 880 animais, segundo a Prefeitura.
- Catedral do Divino Espírito Santo: arquitetura neogótica e vitrais artísticos no centro histórico.
- Calçadão da Batista de Carvalho: oito quadras de comércio e cafés, ponto de encontro dos bauruenses.
A cena gastronômica vai muito além do lanche que carrega o nome do município. Quem visita o destino encontra pelo menos cinco sabores marcantes:
- Sanduíche Bauru no padrão original: pão francês com rosbife, mistura de queijos derretidos, tomate, picles e orégano. Receita oficializada por lei municipal.
- Feijoada de sábado: tradição nos bares antigos da Vila Falcão e da região do Calçadão.
- Cafés da padaria centenária: cidade universitária, Bauru tem dezenas de padarias com café da manhã reforçado.
- Festival de Inverno gastronômico: em julho, a programação inclui praças com comidas regionais.
- Doces de cerrado: derivados de baru, pequi e jatobá vendidos no entorno do Jardim Botânico.
Quem adora saborear histórias gastronômicas paulistas, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal SBT News, que conta com mais de 4 mil visualizações, onde mostram a história do tradicional sanduíche Bauru em São Paulo:
Quando é a melhor época para visitar Bauru
O clima na cidade é tropical com inverno seco e verão chuvoso. Entre maio e setembro, Bauru oferece dias amenos e céu aberto, ideais para os parques ao ar livre. Vale planejar a viagem segundo a tabela:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar até o coração ferroviário do interior paulista
Bauru fica a aproximadamente 326 km de São Paulo, o equivalente a cerca de 4 horas de carro pela Rodovia Castello Branco e em seguida pela SP-300. A cidade também é servida pelo Aeroporto Estadual de Bauru-Arealva (Moussa Nakhl Tobias), com voos regionais que conectam o destino a algumas capitais do país.
Quem prefere ônibus encontra saídas frequentes do Terminal Rodoviário Tietê, na capital paulista, com duração média de 5 horas. A localização privilegiada no centro-oeste do estado faz da Cidade Sem Limites um ponto de parada natural para quem viaja em direção a Mato Grosso do Sul ou ao norte do Paraná.
Vá conhecer a terra do astronauta e do sanduíche
Poucas cidades do interior conseguem reunir uma curiosidade científica e uma curiosidade gastronômica do mesmo porte. A terra natal de Marcos Pontes é também o berço do lanche que viajou pelo Brasil inteiro, e o conjunto de parques, museus e cafés universitários completa a experiência.
Você precisa conhecer Bauru e provar um sanduíche original na cidade que deu nome ao prato e voou mais alto que qualquer outra do país.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)