Flávio, Vorcaro e o medo do que ainda virá
Revelações sobre o financiamento do banqueiro Daniel Vorcaro ao filme “Dark Horse” mostram o telhado de vidro de Flávio
Flávio Bolsonaro (PL-RJ) finalmente descobriu aquilo que Brasília inteira já sabia havia anos: telhado de vidro não combina com ambição presidencial. E o problema não é exatamente o filme. O problema é o roteiro e os personagens.
O senador do PL, que sonha em herdar o espólio político do pai em 2026, apareceu agora ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, personagem central do escândalo envolvendo o Banco Master — aquele mesmo banco que virou sinônimo ambulante de relações nebulosas com o poder em Brasília.
Segundo revelou o Intercept Brasil, Vorcaro teria prometido ao senador um aporte de 134 milhões de reais para financiar “Dark Horse”, produção cinematográfica sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. Pelo menos 2,3 milhões de reais já teriam sido pagos via Banco Master para a empresa usada no projeto.
O detalhe tragicômico da história: o bolsonarismo passou os últimos meses vendendo a fantasia de que passaria incólume ao escândalo Master. Errou feio.
Desde o final do ano passado, aliados de Flávio Bolsonaro transformaram Alexandre de Moraes no grande símbolo nacional das supostas relações perigosas entre poder político, empresários influentes e bastidores de Brasília. O contrato de 129 milhões de reais da esposa de Moraes, dona Vivi, é uma síntese disso.
A questão é que, agora, Flávio Bolsonaro surge frequentando exatamente o mesmo tipo de ambiente pantanoso que sua militância diz combater.
Daniel Vorcaro não era exatamente um mecenas do mercado financeiro. Muito pelo contrário. Vorcaro queria contatos, queria influência, queria poder.
Agora, o mais impressionante nem é a relação em si. Afinal, Brasília é uma grande confraria de interesses cruzados. O espantoso é a forma infantil — quase amadora — com que Flávio conduziu o caso.
Segundo o próprio senador, ele conhece Vorcaro desde o final de 2024. Ótimo. E por que isso nunca apareceu antes? Por que esconder? Se a transação era tão republicana, tão privada, tão inocente e tão “zero Lei Rouanet”, como afirmou Flávio, bastava dizer desde o início:
“Procurei um banqueiro bilionário envolvido em articulações de Brasília para financiar um filme sobre meu pai.”
Pronto. A base bolsonarista provavelmente transformaria o episódio em ato patriótico.
Mas não. Preferiram o velho método: silêncio, omissão e gestão de crise improvisada depois que a bomba explode.
Pior: antes de ser pego com a boca na botija, Flávio negou de pé junto qualquer relação com o Master. Agora, Inês é morta.
É justamente aí que mora o problema político para Flávio Bolsonaro. Não é o que foi revelado pelo Intercept, mas o que ainda está por vir.
Serão dias agitados em Brasília.
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