Nobel da Paz iraniana é transferida para hospital em Teerã
Fundação ligada à ativista Narges Mohammadi diz que quadro exige tratamento permanente
A ativista iraniana Narges Mohammadi (foto), vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2023, foi transferida para um hospital em Teerã mais de uma semana após ser internada em estado grave. A informação foi divulgada neste domingo, 10, pela fundação ligada à ativista.
Segundo a entidade, Mohammadi conseguiu uma suspensão condicional da pena mediante fiança. A fundação afirmou que ela precisa de “cuidados permanentes e especializados” e defendeu sua libertação definitiva.
Presa desde dezembro na penitenciária de Zanjan, Mohammadi perdeu a consciência duas vezes antes de ser levada a um hospital local em 1º de maio.
Familiares e apoiadores vinham alertando para o agravamento de seu estado de saúde.
O advogado da ativista, Mostafa Nili, afirmou nas redes sociais que a transferência foi autorizada após parecer da Organização de Medicina Legal do Irã.
Segundo ele, médicos concluíram que Mohammadi precisa continuar o tratamento fora da prisão e sob supervisão de sua própria equipe médica.
Pressão internacional
O irmão da ativista, Hamidreza Mohammadi, que vive na Noruega, afirmou que pedidos anteriores de transferência para Teerã haviam sido barrados.
“Estou aliviado agora. Posso respirar aliviado”, disse à Associated Press.
A família atribui a piora da saúde às condições da prisão e afirma que Mohammadi foi espancada durante o período de detenção.
Ela sofreu um ataque cardíaco em março e enfrenta problemas pulmonares que exigem uso constante de anticoagulantes.
O Comitê Nobel pediu que as autoridades iranianas permitam tratamento em Teerã e afirmou que “sem esse tratamento, sua vida continua em risco”.
Os Estados Unidos também cobraram a libertação imediata da ativista.
“Pedimos ao regime iraniano que a liberte agora e lhe dê os cuidados de que precisa. O mundo está observando”, escreveu Riley Barnes, subsecretário de Estado dos EUA para os Direitos Humanos.
Conhecida pela campanha contra a pena de morte e pela defesa dos direitos das mulheres no Irã, Mohammadi se tornou um dos principais símbolos da oposição ao regime iraniano.
Mesmo presa, continuou divulgando denúncias sobre abusos em prisões e ganhou projeção internacional após apoiar o movimento “Mulher, Vida, Liberdade”, surgido depois da morte de Mahsa Amini em 2022.
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