Nobel da Paz iraniana é hospitalizada após piora na prisão
Narges Mohammadi sofreu dois episódios de perda de consciência em um dia e foi transferida de emergência após 140 dias sem tratamento
A ativista iraniana Narges Mohammadi, laureada com o Prêmio Nobel da Paz em 2023, foi transferida em caráter de urgência da penitenciária de Zanjan para um hospital da cidade nesta sexta-feira, 1º de maio, após sofrer dois desmaios no mesmo dia.
A deterioração abrupta de seu estado de saúde ocorre no 140º dia de sua detenção, período em que, segundo sua equipe, ela foi sistematicamente privada de acompanhamento médico especializado para enfermidades cardíacas e pulmonares.
Colapso de saúde força internação de emergência
A Fundação Narges, entidade vinculada à ativista, informou que a transferência foi realizada de ambulância após o que classificou como “deterioração catastrófica” da saúde de Mohammadi. O advogado dela, Mostafa Nili, relatou em publicação na rede social X que o médico da prisão, após administrar dois soros intravenosos e medicação contra náusea, concluiu que não havia mais recursos disponíveis na unidade e determinou a remoção imediata.
Num primeiro momento, Mohammadi recusou a transferência. De acordo com Nili, cardiologistas haviam alertado previamente que o tratamento em hospitais de Zanjan seria arriscado, dado o seu histórico de três angiografias e colocação de stent.
A ativista defendia que seu acompanhamento fosse conduzido por sua própria equipe médica. Após o segundo desmaio, um neurologista determinou a internação compulsória. A Comissão Médico-Legal da província de Zanjan recomendou a suspensão da pena por um mês para que ela pudesse receber tratamento.
Histórico de prisões e repercussão internacional
O Comitê Nobel da Paz, sediado na Noruega, divulgou nota afirmando estar “alarmado” com o estado de saúde da ativista. A organização havia reconhecido, em 2023, a trajetória de Mohammadi na defesa dos direitos das mulheres no Irã.
Mohammadi foi presa em dezembro de 2025, durante uma cerimônia em homenagem a um advogado realizada em Mashhad, no leste do país. Antes dessa detenção, ela havia deixado a prisão temporariamente, também em dezembro de 2025, por razões médicas, após anos encarcerada em razão de seu trabalho em defesa dos direitos humanos.
A ativista já foi presa mais de dez vezes por seu ativismo contra o regime clerical iraniano. Suas cinco condenações somam 31 anos de prisão e 154 chibatadas.
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