Cientistas fazem alerta sobre derretimento de geleira no Himalaia que pode afetar quase 2 bilhões de pessoas
O derretimento acelerado das geleiras do Himalaia ameaça rios vitais e coloca em risco água, energia e alimentos para bilhões de pessoas.
O derretimento acelerado das geleiras do Himalaia e da região Hindu Kush está redesenhando o mapa hídrico da Ásia e pressionando a vida de quase 2 bilhões de pessoas. Conhecidas como o “terceiro polo”, essas montanhas concentram uma das maiores reservas de gelo do planeta fora do Ártico e da Antártida, alimentando rios como Ganges, Indo, Brahmaputra, Mekong e Yangtzé, vitais para agricultura, energia, consumo doméstico e indústria em uma das regiões mais populosas do mundo.
Derretimento acelerado das geleiras do Himalaia
Estudos recentes mostram que as geleiras do Hindu Kush-Himalaia estão perdendo cerca de 72 centímetros de espessura por ano, ritmo aproximadamente duas vezes maior que o observado em décadas anteriores. Entre 2011 e 2020, o gelo derreteu 65% mais rápido em comparação com a década anterior, indicando uma mudança estrutural, e não apenas superficial, no manto de gelo.
Desde 1990, estima-se uma redução de aproximadamente 9% do volume total de gelo e de 12% da área de superfície, com leitos rochosos antes cobertos por neve permanente agora expostos. Esse processo vem acompanhado da formação de lagos glaciais instáveis, menor reposição de neve no inverno e aumento da chuva em áreas onde antes predominava a precipitação em forma de neve.

Principais causas do derretimento acelerado
O aquecimento global, impulsionado pela queima de combustíveis fósseis, pelo desmatamento e pelas altas emissões de gases de efeito estufa, é apontado como o principal responsável pela crise nas geleiras do Himalaia. O aumento da temperatura eleva a linha de congelamento nas montanhas e reduz a área onde a neve consegue se manter estável ao longo do ano.
Além do calor atmosférico, a deposição de carbono negro – partículas escuras oriundas da queima de biomassa, carvão e diesel – escurece a superfície do gelo e intensifica a absorção de calor solar. Em conjunto com a crescente exposição de rochas mais escuras, cria-se um ciclo de retroalimentação em que quanto mais gelo derrete, mais a superfície aquece e mais rápido ocorre o degelo. Alguns fatores críticos se destacam:
| Vetor de Alteração | Mecanismo de Impacto Regional e Global |
|---|---|
| Gases de Efeito Estufa | Emissões elevam as temperaturas globais e regionais de forma acelerada. |
| Uso da Terra | Desmatamento altera regimes de chuva e reduz a absorção natural de carbono. |
| Carbono Negro (Fuligem) | Acelera o derretimento ao escurecer superfícies de neve e gelo, reduzindo o albedo. |
| Hidrologia de Montanha | Mudança no padrão de precipitação aumenta a incidência de chuva em vez de neve. |
Importância das geleiras do Himalaia para a segurança hídrica
As geleiras do terceiro polo funcionam como grandes reservatórios naturais, liberando água gradualmente ao longo do ano. Em períodos secos, o degelo mantém o fluxo dos grandes rios asiáticos e assegura o abastecimento de comunidades inteiras, sustentando a segurança hídrica, a produção agrícola e a geração de energia em vários países.
Cerca de 1,9 bilhão de pessoas dependem direta ou indiretamente da água com origem nessas geleiras, sobretudo em regiões áridas ou semiáridas, onde a chuva é irregular. A agricultura irrigada em planícies densamente povoadas, as usinas hidrelétricas e os ecossistemas adaptados ao ritmo tradicional de degelo estão entre os mais vulneráveis a alterações rápidas no regime hídrico.
Confira o vídeo compartilhado pelo canal do YouTube Mundo Curioso mostrando o perigo do derretimento das geleiras.
Riscos ambientais e impactos para a população
O derretimento acelerado aumenta a ocorrência de eventos extremos, como enchentes repentinas causadas pelo rompimento de lagos glaciais represados por gelo e sedimentos. Esses episódios podem destruir estradas, pontes, vilarejos e áreas agrícolas em poucas horas, ampliando perdas econômicas e humanitárias.
O enfraquecimento do permafrost e a instabilidade das encostas tendem a intensificar deslizamentos de terra, avalanches e quedas de blocos rochosos. Comunidades montanhosas enfrentam abastecimento de água irregular, perda de safras, migrações forçadas e aumento da pobreza, especialmente onde faltam infraestrutura, políticas de adaptação e sistemas de alerta precoce.
O que precisa ser feito agora para proteger o futuro da água na Ásia
Cientistas como Pema Gyamtsho e Mohad Faruk Azan alertam que a janela de ação está se fechando rapidamente. Mitigar a crise exige corte urgente de emissões, transição para energias renováveis, proteção de florestas e redução do carbono negro, ao mesmo tempo em que se fortalece a adaptação climática com melhor gestão da água, infraestrutura resiliente e apoio direto às comunidades mais vulneráveis.
As decisões tomadas nas próximas décadas definirão o futuro dos grandes rios asiáticos e a estabilidade hídrica, alimentar, energética e social da região. É fundamental que governos, empresas e sociedade civil ajam agora – cobrando políticas climáticas ambiciosas, investindo em soluções baseadas na ciência e apoiando iniciativas locais – para evitar um colapso hídrico que pode afetar bilhões de pessoas de forma irreversível.
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