A bomba de Eduardo Bolsonaro
A visão de Eduardo Bolsonaro tem nome: destruição mútua assegurada, ou MAD na sigla em inglês.
Eduardo Bolsonaro defendeu nesta terça (14) a posse de armas nucleares pelo Brasil.
“São bombas nucleares que garantem a paz”, disse o deputado a alunos da Escola Superior de Guerra. Falando sobre Índia e Paquistão, explicou: “Quando um desenvolveu a bomba nuclear, o outro desenvolveu no dia seguinte e ali está selada, ao menos minimamente, uma espécie de paz. Eu sou entusiasta desta visão”.
A visão de Eduardo tem nome: destruição mútua assegurada, ou MAD na sigla em inglês.
Neste artigo você vai entender o que é a MAD, relembrar quais países têm armas nucleares hoje, e os problemas práticos para o Brasil um dia (voltar a) desenvolver armas nucleares.
– O que é destruição mútua assegurada?

É uma doutrina militar baseada em garantir que, caso um país utilize armas nucleares contra outro, o atacado terá capacidade de retaliar, resultando na completa aniquilação de ambas as partes. Exatamente por causa dessa consequência terrível, cada país evitaria atacar primeiro; se ninguém atacar primeiro, não haverá guerra. A palavra-chave é dissuasão.
A MAD começou a ter um grande papel na política de defesa dos EUA em 1962, com um discurso de Robert McNamara, então secretário de Defesa do presidente Kennedy. A ideia era os americanos acumularem um arsenal tão grande que poderiam retaliar mesmo após atacados pela União Soviética. O conceito foi testado na prática meses depois, com a Crise dos Mísseis Cubanos. Uma guerra nuclear foi evitada.
– A MAD na ficção

O conceito de MAD é alvo de zombaria no filme Dr. Fantástico (1964), de Stanley Kubrick. Na história, os soviéticos construíram uma ‘máquina do apocalipse’, um sistema impossível de desarmar, e de acionamento automático, que acabará com a vida na Terra em caso de ataque nuclear ao país.
Obviamente, a dissuasão pretendida pela máquina do apocalipse não funciona se ela for mantida em segredo. O embaixador soviético conta que o anúncio seria feito no Congresso do Partido, na segunda-feira. Nesse momento uma arma nuclear americana já está a caminho dos russos.
– Quais países têm armas nucleares hoje?

Nove países têm armas nucleares hoje. Os primeiros a adquiri-las foram os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU: EUA (antes de a ONU existir), Reino Unido, França, Rússia e China. Os outros quatro são Índia, Paquistão, Israel e Coreia do Norte.
A África do Sul é o único caso de um país que teve armas nucleares e hoje não tem mais.
– As armas nucleares no Brasil

Em 1990, Fernando Collor fechou o buraco na Serra do Cachimbo (PA), poço para testes secretos que um programa nuclear paralelo planejava conduzir.
Em 1994, sob Itamar, o Brasil aderiu ao Tratado de Tlatelolco, que proíbe armas nucleares na América Latina. Em 1998, FHC ratifica o Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP). A ditadura militar se recusara a participar de ambos os tratados.
Além dos problemas de se retirar de compromissos assumidos, produzir armas nucleares tem um grande problema prático. O momento mais perigoso para um país é quando ele está prestes a ter uma bomba atômica, mas não tem ainda. Nesse momento ele pode ser atacado sem ter condições de retaliar com armas nucleares.
Foi o que aconteceu com o Iraque em 1981 e com a Síria em 2007. Em ambos os casos, Israel bombardeou preventivamente locais de desenvolvimento de armas nucleares.
Nenhum dos dois rivais tem a bomba até hoje.
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