Crusoé: Quem julgará Putin?
Ucraniana que venceu o Nobel da Paz em 2022 coleta os nomes e as histórias das vítimas do ditador russo
O agricultor Oleksandr Shelipov tinha 62 anos quando foi executado a sangue frio por um comandante de tanque russo na pequena aldeia ucraniana de Chupakhivka, no nordeste do país, em 28 de fevereiro de 2022. Era um dos primeiros dias da invasão — e também um prenúncio brutal do que a guerra se tornaria. “No tribunal, ouvi sua esposa, Caterina, dizer que seu marido era um agricultor comum. Mas ele era tudo que ela tinha. E disse aos juízes: ‘Eu perdi tudo’. Esse é o significado do nosso trabalho: investir muitos esforços para mostrar o que acontece. Devemos dar voz a todas as pessoas atingidas pela guerra, independentemente de quem sejam elas”, conta a advogada ucraniana Oleksandra Matviichuk, em entrevista por vídeo para Crusoé.
Oleksandra venceu o Prêmio Nobel da Paz de 2022 por documentar os crimes cometidos durante a guerra. Ela lidera o Centro para as Liberdades Civis (CCL, na sigla em inglês). “Já documentamos mais de 100 mil crimes de guerra. Nosso trabalho consiste em devolver nomes às vítimas. Nomes não são números.”
O trabalho de Oleksandra começou em 2014, com a anexação da península da Crimeia pela Rússia. Desde então, o CCL reúne os relatos mais perversos de tortura, abusos sexuais e violência sistemática. “Encontramos homens e mulheres com as mãos amarradas para trás, enterrados em valas comuns. Encontramos famílias inteiras, com crianças, mortas dentro de carros civis, deliberadamente alvejados por forças russas enquanto os pais tentavam apenas tirar seus filhos da zona de perigo”, afirma a advogada.
Aproximadamente 1,6 milhão de crianças vivem nas áreas sob ocupação russa, que representam 20% do território da Ucrânia. A identidade delas está sendo apagada. Proibidas de falar ucraniano, elas crescem sob ameaça e medo. A mera demonstração de um vínculo com a cultura nacional…
Siga a leitura em Crusoé. Assine e apoie o jornalismo independente.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)