Juiz boliviano é assassinado a tiros em Santa Cruz de la Sierra
Decano do Tribunal Agroambiental foi morto por sicários na noite de quinta-feira; polícia investiga possível ligação com disputas de terra
O juiz Víctor Hugo Claure, decano do Tribunal Agroambiental da Bolívia, foi assassinado na noite de ontem, 30, em Santa Cruz de la Sierra. Dois homens em motocicleta interceptaram o veículo em que ele se deslocava na avenida Busch, próximo ao quarto anel da cidade, e um deles desceu e abriu fogo. A autópsia confirmou quatro impactos de bala, que causaram hemorragia fatal antes de o magistrado chegar ao hospital.
Crime registrado por câmeras
O ataque foi registrado por câmeras de segurança instaladas nas proximidades. Após os disparos, os dois suspeitos fugiram em direção ao cordão ecológico da cidade. O promotor local, Alberto Zeballos, informou que a investigação já conta com imagens do ocorrido e com depoimentos de testemunhas presentes no veículo no momento do crime.
A Fiscalía Geral do Estado ativou uma comissão especial de promotores e peritos forenses para apurar o caso. Em comunicado, o órgão prometeu uma investigação “exaustiva e minuciosa” para identificar “os responsáveis materiais e intelectuais”.
Hipótese e reação das autoridades
O comandante da polícia de Santa Cruz, David Gómez, apontou como principal linha de investigação “uma disputa de terras”, sugerindo que Claure pode ter proferido alguma decisão judicial relacionada ao uso ou à posse de propriedades no leste da Bolívia. Até o momento, nenhum suspeito foi detido.
Como medida preventiva, a polícia colocou 13 outros magistrados de alto escalão sob proteção, escoltando seus deslocamentos ao aeroporto e aos locais de hospedagem. A precaução se deu após a revelação de que Claure participava, na mesma quinta-feira, de uma reunião com autoridades judiciais de diferentes departamentos em Santa Cruz.
O presidente do Tribunal Supremo de Justiça, Rómer Saucedo, reagiu com veemência nas redes sociais: “Não se pode viver em um país onde o sicariato se apoderou dele e dobrou o braço do Estado. Não nos dobraremos. Jamais o crime poderá vencer quem acredita na vida e num futuro melhor para a Bolívia”.
O Tribunal Supremo de Justiça classificou o assassinato como “uma grave afrenta à institucionalidade democrática” e cobrou do Ministério Público atuação “com a máxima celeridade”.
O presidente Rodrigo Paz, por sua vez, expressou “solidariedade” à família e pediu que a população não especulasse sobre o caso enquanto as investigações prosseguem.
Claure, natural de Cochabamba e nascido em abril de 1977, havia sido eleito para o cargo nas eleições judiciais de 2024 — um processo por voto popular, conforme prevê o sistema boliviano para as mais altas instâncias do Judiciário.
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