Patrícia Chaccur na Crusoé: O sex appeal da intimidade artificial
Um em cada três membros da Geração Z imagina que seria possível apaixonar-se por um companheiro de IA
Você ainda usa o celular para telefonar para alguém? E, quando alguém liga, você atende? Ou bufa?
A tecnologia, mais precisamente o WhatsApp, transformou um simples telefonema em um ato invasivo. Hoje, antes de ligar para alguém, é prudente que você envie uma mensagem perguntando: “pode falar?”.
É bem provável que a sua pergunta seja ignorada, principalmente pelos irritantes contatos que desativam a confirmação de leitura. Excelente pretexto para que a pessoa só se manifeste bem depois, alegando não ter visto a mensagem a tempo. Surge a determinação disfarçada de gentil permissão: “Pode mandar áudio!”.
Somos egoístas por natureza, mas a vida nos obriga a domar esses impulsos conforme a etiqueta da convivência em sociedade. Há uma constante ponderação entre o que queremos e o que devemos fazer. No passado, quantas vezes suportamos longas conversas com interlocutores prolixos em nome dos bons costumes? Se o WhatsApp, recurso praticamente idoso em termos tecnológicos, já nos garante essa barreira contra o indesejado, de que desconfortos a inteligência artificial pode nos proteger?
Há três anos, em sua palestra no festival SXSW, a psicoterapeuta Esther Perel apresentou o conceito de intimidade artificial: “Como podemos ter centenas de conexões nas redes sociais, mas ninguém que alimente nosso gato quando viajamos?”. A solidão moderna, segundo ela, está mascarada de hiperconectividade.
Neste ano, no mesmo festival, Perel apresentou o áudio de uma sessão de terapia com Antônio, nome fictício de um paciente que vive um relacionamento amoroso com uma IA…
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