Anel de ouro do século 18, feito para nobre inglês em 1723, é achado por detectorista após um ano de buscas
A rara joia de luto de 1723 encontrada em Norfolk revela o fim de uma linhagem nobre inglesa e um enigma sobre o seu tamanho.
Um anel de ouro maciço, fabricado em 1723 para homenagear um nobre inglês morto em um acidente de caça, emergiu da terra em Norfolk, no leste da Inglaterra, depois de mais de 18 meses de buscas incansáveis. A joia, que traz uma caveira de esmalte negro e uma inscrição em latim, revelou uma história de luto e poder extinta há mais de 300 anos.
Quem foi o nobre inglês homenageado pelo anel de ouro?
A peça foi criada em memória de Sir Bassingbourne Gawdy, o 3º Baronete de Harling, que morreu em 10 de outubro de 1723, aos 56 anos, durante um acidente de caça. A inscrição interna confirma: “B.G. Bart. ob: 10. Out: 1723. aet: 56”, que em latim significa “B.G. Baronete, morto em 10 de outubro de 1723, aos 56 anos”.
O título de baronete, criado para a família Gawdy em 1663, foi extinto exatamente com Sir Bassingbourne, que morreu sem se casar e sem deixar herdeiros. Segundo o Oxford Dictionary of National Biography, ele era descrito como um solteiro excêntrico, e sua morte selou o fim definitivo da linhagem.
| Aspecto | Detalhe |
|---|---|
| Nome do homenageado | Sir Bassingbourne Gawdy |
| Título nobiliárquico | 3º Baronete de Harling |
| Data da morte | 10 de outubro de 1723 |
| Idade ao morrer | 56 anos |
| Causa da morte | Acidente de caça |
| Inscrição interna do anel | B.G. Bart. ob: 10. Out: 1723. aet: 56 |
| Título criado para a família em | 1663 |
| Razão do fim da linhagem | Morreu solteiro e sem herdeiros |
Como o detectorista encontrou o anel após tanto tempo?
Malcolm Weale, um detectorista amador de 53 anos, vasculhava um campo perto de Thetford, em Norfolk, quando o sinal do detector o levou até o objeto. O anel estava enterrado a apenas 15 centímetros de profundidade, mas ainda reluzia intensamente sob a luz do sol.
Em entrevista, Weale contou que “sabia que era algo muito especial e até fiz uma dancinha”. Ele já havia dedicado 18 meses de buscas à mesma área, onde também encontrou moedas medievais e outros artefatos históricos.
O que torna esse anel de luto uma peça tão rara?
O anel pertence a uma categoria muito específica: a joalheria mortuária britânica, comum entre os séculos 16 e 19. Conhecido como anel de luto, esse tipo de adorno era encomendado por nobres antes da morte e distribuído a familiares e amigos próximos como lembrança.
O que diferencia esta peça é a presença de uma caveira feita de esmalte bicolor, o que lhe confere um ar ao mesmo tempo artístico e macabro. O uso de ouro e a inscrição precisa em latim indicam que ela foi encomendada diretamente por Sir Bassingbourne Gawdy ou por alguém muito próximo a ele, reforçando seu caráter único.
Por que o tamanho do anel intrigou os especialistas?
Os exames do Museu Britânico revelaram que o anel tem o tamanho equivalente a 6 ou 7 nos Estados Unidos, algo que corresponderia ao dedo de uma mulher ou de um adolescente. Esse detalhe intrigou os pesquisadores, já que o nobre homenageado era um homem adulto.
A historiadora Helen Geake explicou que não há uma resposta definitiva. Uma hipótese levantada pela instituição é que Sir Bassingbourne pode ter deixado ordens para que vários anéis fossem fabricados em tamanhos diferentes e distribuídos conforme seus destinatários. Nenhum outro exemplar, porém, foi localizado até agora.

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O que acontece agora com o anel e seu descobridor?
O anel foi oficialmente declarado tesouro pelo tribunal forense de Norfolk, conforme exige a Lei do Tesouro de 1996. A peça será avaliada por especialistas do Museu Britânico, que determinarão seu valor de mercado e decidirão qual museu ficará com a guarda definitiva.
Pela lei britânica, o valor da joia será repartido entre Malcolm Weale, como descobridor, e o proprietário do terreno onde o anel foi encontrado. Para um homem que começou a usar detectores de metal aos sete anos de idade, a recompensa coroa décadas de dedicação a um hobby que ele resumiu à BBC com simplicidade: “É muito raro conseguir dar um nome a algo que você encontra. Mas eu soube na hora que aquilo era especial”.
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