Crusoé: O manual do eleitor sem dono
Por quatro anos, ele contrata quem parece oferecer menos risco e mais utilidade prática
Existe um eleitor brasileiro que não veste camisa colorida em dia de votação, não cultua herói político e não mantém partido de estimação. É um eleitor exigente e pragmático.
Ele é flutuante e não vive a eleição como religião. Aliás, vive como incômodo.
Observa o preço da gasolina, a insegurança diante de um celular roubado, o humor da família no churrasco, a conversa no trabalho no fim do mês, o noticiário da TV, sim, da TV, e a sensação de ordem ou desordem.
A primeira palavra da nossa bandeira faz muito sentido para esse eleitor: tudo precisa estar em ordem.
Para ele, o voto tem menos aparência de fé em um herói e mais aparência de assinatura de contrato com um servidor público. Ele contrata, por quatro anos, quem parece oferecer menos risco e mais utilidade prática.
Esse é o eleitor do meio flutuante.
Grande o bastante para decidir a eleição. Silencioso o bastante para ser subestimado.
Pesquisa Meio/Ideia de abril mostrou que 51,4% dos entrevistados ainda admitiam mudar de candidato até outubro.
Aliás, é preciso falar a verdade. Na média das pesquisas, o número gira em torno disso. O eleitor tende a se decidir na última hora, como o brasileiro faz com quase tudo, do Imposto de Renda à urna. Deixa para decidir e agir depois.
Essa informação não revela apenas indecisão. Revela que existe uma parte relevante do país em movimento, fora da disciplina emocional das torcidas políticas de um lado e de outro. É esse o eleitor que precisa ser observado.
Direita e esquerda têm núcleos cristalizados.
Esses grupos dão volume, barulho, militância e defesa pública. Mas não mudam uma eleição. A campanha presidencial se decide na borda, no eleitor que não quer pertencer a um campo. Ele só quer resolver a própria vida em uma manhã ou tarde de domingo. E pronto.
Para conquistá-lo, há regras básicas…
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Comentários (1)
Otreblig50
29.04.2026 01:06O ruim mesmo é quando a decisão se foca NO MENOS PIOR !!! Aí é que fica " DUREZA " !!!!