Cármen Lúcia lamenta agressividade no debate político: “Horrores”
Ministra do STF diz que linguagem virou instrumento de agressão
A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), lamentou nesta terça-feira, 28, a deterioração do diálogo político e o aumento de ataques pessoais entre parlamentares em ano eleitoral.
Durante sessão, a magistrada afirmou que a linguagem, que deveria ser instrumento de debate e convencimento no Parlamento, tem sido usada como forma de agressão.
“Ministro Alexandre, que já esteve, ministro Zanin, Vossa Excelência estarão logo no Tribunal Superior Eleitoral e os horrores, e eu estou falando a palavra que eu quero falar, horrores que a gente vê que a linguagem se tornou realmente um instrumento de agressão para alguns no que é a política, que é a arte da palavra e do convencimento, é parlamento, é para falar, é para debater.
Eu vi que era o espaço em que as pessoas podiam ter ideias e ideologias contrárias, mas chegava no cafezinho, se falavam sem nenhum tipo de agressão. E se for verdade o que me contam, um falava até pro outro, ó, ‘falei lá porque sabe meu eleitorado?’ Quer dizer, não era não era agredir, porque depois de um ponto que se passa, você passa pro pessoal. A impessoalidade vai até um ponto que você não atinge a própria pessoa. Então eu fico preocupada no que virou a palavra, sabe, ministro Alexandre, porque aí realmente é muito grave essa juventude vai trabalhar como na a ideia de serem políticos, de serem parlamentares, governantes, administradores“, afirmou em sessão.
A ministra também alertou para o uso de tecnologias, como inteligência artificial e robôs, na disseminação de ataques.
“E há um outro dado que neste ano me preocupa literalmente me tira o sono. Esse tipo de xingamento é feito hoje com uso de tecnologias, de máquinas, da tal da inteligência artificial que usa de tudo os ‘bots’ estão aí. E aí é alguma coisa, presidente, outro dia eu não sabia do que que tinham me xingado. Sabia que era o xingamento que tava num combo. Num combo. É um horror. E aí me dizem assim: “Não, mas isso daqui foi inteligência artificial. Não, isso nem é inteligência. É inteligência é uma compreensão que se tem de algo e é incompreensível que se faça isso.”
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