Zema vê “xenofobia” em fala de Gilmar e cogita ação judicial
Ex-governador afirma que declaração do ministro do STF sobre seu sotaque “destrata milhões de brasileiros”
O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência pelo Novo, Romeu Zema (foto), afirmou neste sábado, 25, que estuda acionar judicialmente o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), por declarações que classificou como “xenofóbicas” sobre seu sotaque.
Em entrevista durante a abertura da Expozebu, em Uberaba, Zema disse que as declarações do ministro atingem não apenas sua imagem pessoal.
“O jurídico meu, do partido, está avaliando. É uma fala ofensiva, xenofóbica, que destrata milhões de brasileiros.”
O ex-governador também criticou a forma como, segundo ele, membros do Supremo se colocam em posição de superioridade.
“Ele parece se considerar, como os intocáveis de Brasília, uma casta superior. Enquanto está vivendo no luxo, nós brasileiros que trabalhamos estamos vivendo no lixo”, afirmou.
As entrevistas de Gilmar
O decano do STF disse em entrevista à Record News e ao Jornal da Globo que Zema “fala um dialeto próximo do português”.
“Muitas vezes a gente não o entende, não é? Tu estava imaginando que ele fala uma língua lá do Timor Leste, um tétum ou coisa assim, mas, de qualquer forma, naquilo que for inteligível, é importante que a Procuradoria, a Polícia Federal, o próprio ministro Alexandre [de Moraes] aprecie”, disse o ministro em trecho da entrevista compartilhado pelo próprio ex-governador de Minas.
Gilmar também criticou uma animação satírica feita pela campanha do ex-governador sobre o STF e comparou os efeitos dela a uma eventual sátira feita sobre o político mineiro em que o representaria como “homossexual”.
“De fato nós rimos, achamos engraçados. Agora, se começamos a fazer piadas com coisas sérias, com as instituições… Imagine que nós comecemos a fazer bonecos do Zema como homossexual. Será que não é ofensivo? O se fizermos ele roubando dinheiro no estado, será que não é ofensivo? É é correto brincar com isso? Homens públicos podem fazer isso. Só essa questão. É só isso. É isso que precisa ser avaliado”, disse ao Metrópoles.
Os intocáveis
Gilmar pediu a inclusão de Zema no interminável inquérito das fake news por causa de uma animação satírica na qual o ministro Dias Toffoli pede ajuda ao decano do STF após a CPI do Crime Organizado aprovar a quebra de sigilo da empresa Maridt. Toffoli é sócio dessa empresa, que fez negócios com o Banco Master, de Daniel Vorcaro.
Neste sábado, como mostramos, Zema publicou um novo vídeo da série que satiriza ministros do STF.
Leia mais: Gilmar volta a cobrar Zema por decisões favoráveis a Minas
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