Descobrindo os segredos do Egito Antigo: a mítica cidade de Thonis-Heracleion revelada por arqueólogos
Sob metros de água e sedimentos, vieram à tona santuários dedicados ao deus egípcio Amon e à deusa grega Afrodite
Descobertas em Thonis-Heracleion, antiga cidade portuária submersa na costa do Egito, reacenderam o interesse pela convivência entre culturas no Mediterrâneo.
Sob metros de água e sedimentos, vieram à tona santuários dedicados ao deus egípcio Amon e à deusa grega Afrodite, além de um amplo conjunto de artefatos rituais. As escavações revelam como esse porto articulava política, comércio e religião em um cenário de intensas trocas culturais.
O que é Thonis-Heracleion e por que ela é importante
Thonis-Heracleion combina o nome egípcio e a forma grega para designar o mesmo centro urbano, ativo entre o século 8 a.C. e o período bizantino.
Localizada na foz do Nilo, controlava a entrada de navios estrangeiros rumo ao interior do Egito e funcionava como elo entre o Vale do Nilo e o mundo helênico.
Hoje a cidade está submersa na Baía de Aboukir, a cerca de sete quilômetros da linha de costa atual. Sua preservação em ambiente subaquático oferece um raro panorama de um grande porto da Antiguidade, com templos, áreas administrativas e setores ligados ao comércio internacional.
Una colossale statua egiziana sorge dalle profondità della baia di Abu Qir ad Alessandria, Egitto. La statua apparteneva alla città portuale sommersa di Thonis-Heracleion.
— pier luigi pinna (@pierpi13) June 21, 2024
La statua raffigura Hapy, dio delle inondazioni del Nilo. Una volta si trovava di fronte al tempio di… pic.twitter.com/qXrpn4vodW
Como eram os santuários de Amon e Afrodite em Thonis-Heracleion
Na área do templo de Amon, grandes blocos de pedra indicam um edifício monumental, visitado por faraós para legitimar seu poder diante do deus supremo egípcio. As estruturas ruídas sugerem pátios, salas de culto e espaços para deposição de oferendas valiosas.
Em outro setor, arqueólogos identificaram um santuário dedicado à deusa Afrodite, inserido no coração do porto egípcio.
A coexistência de Amon e Afrodite em um mesmo complexo urbano reflete uma convivência religiosa pragmática, que atendia elites locais, comerciantes estrangeiros e comunidades mistas.
Quais artefatos foram encontrados nos templos submersos
Os vestígios recuperados formam um conjunto diversificado de objetos rituais, preservados sob camadas de argila compacta. Eles iluminam práticas de culto, redes comerciais e a presença de grupos militares ligados ao porto.
- Instrumentos de prata, joias de ouro e recipientes de alabastro ligados ao culto de Amon.
- Cerâmicas finas, objetos votivos e um derramador de bronze em forma de pato associados a Afrodite.
- Armas e equipamentos gregos, indicando mercenários na defesa do porto e das rotas de navegação.
- Cerâmicas de múltiplas origens, refletindo intensa circulação de pessoas e mercadorias.
> LOCAL: BAÍA DE ABOUKIR, EGITO
Como a cidade de Thonis-Heracleion afundou no Mediterrâneo
Thonis-Heracleion foi construída sobre solo alagadiço e instável, vulnerável a abalos sísmicos e à elevação do nível do mar. Processos de liquefação afetaram especialmente construções pesadas, como templos e edifícios administrativos.
Registros geológicos sugerem um grande evento sísmico por volta do século 2 a.C., que provocou o colapso de partes do templo de Amon.
Episódios sucessivos de instabilidade levaram ao afundamento gradual de setores urbanos, culminando no desaparecimento da cidade por volta do século 8 d.C.
In ancient times, the city of Thonis-Heracleion, known in modern tiles as the lost kingdom of Cleopatra served as a gateway to Egypt. Today, this mysterious legendary city is submerged in Egypt’s Aboukir Bay, near Alexandria, Egypt 🇪🇬
— Archaeo – Histories (@archeohistories) February 11, 2026
Why the city sank remains a mystery, but it… pic.twitter.com/K1Wr6g3BYH
Qual é a relevância histórica e científica de Thonis-Heracleion
As descobertas em Thonis-Heracleion aprofundam o entendimento sobre a interação entre Egito e mundo grego, mostrando portos como espaços de contato entre línguas, deuses e sistemas políticos.
Para a arqueologia, a cidade submersa funciona como laboratório de pesquisa em larga escala, combinando mergulho, mapeamento 3D e análises de materiais.
O sítio continua revelando detalhes sobre urbanismo portuário, práticas religiosas e impactos de catástrofes naturais no Mediterrâneo antigo.
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