Gilmar sugere novo nome para o inquérito das fake news
Decano concedeu mais uma entrevista para defender o STF das críticas que vem sofrendo
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, sugeriu nesta sexta-feira, 24, um novo nome para o interminável inquérito das fake news: “Inquérito de defesa da democracia”.
O decano foi novamente questionado sobre o assunto em entrevista à CNN Brasil, mais uma série que tem feito para defender o STF das críticas.
“Talvez o nome seja impróprio. É o inquérito de defesa da democracia. Porque o fake news ficou um pouco… é também é nome de fantasia. […] Graças a esse expediente novo, que não é tão novo, porque estava no regimento interno do Supremo antigo”, disse o magistrado.
Mais uma vez, Gilmar defendeu a importância do inquérito aberto em 2019.
“Nós, quando tivemos a ideia do inquérito das fake news, tanto eu quanto o ministro Toffoli, Alexandre, nós tínhamos um contexto. As pessoas perguntavam até, entre colegas: ‘Mas não seria melhor entregar isso ao Ministério Público?’ Era o Ministério Público de Janot, de Dallagnol, desse grupo que muitas vezes produzia notícias contra os ministros do Supremo. Eles eram os autores das fake news. Daí a gente teria lançado mão desse dispositivo do regimento interno para dizer: É preciso que essa investigação que envolva Supremo ou crimes cometidos no Supremo ou contra o Supremo seja feita no âmbito do Supremo Tribunal Federal. E nós tínhamos também o tal gabinete do ódio.
O grande problema é que nós vamos ficando desmemoriados. Nós e vocês. Mas esses são fatos muito recentes, ou alguém se esqueceu [de] que havia um gabinete do ódio que produzia notícias contra as pessoas, especialmente contra o Supremo Tribunal Federal? Esse contexto mudou. Certamente já não estamos sob o governo Bolsonaro, mas as notícias, as formas continuam as mesmas ou muito assemelhadas.”
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Quando vai acabar o inquérito das fake news?
Gilmar voltou a dizer que o inquérito vai acabar “quando terminar”.
“Por isso que eu disse esses dias para alguém que estava muito sôfrego para resolver essa questão. Eu disse: ‘Não, quando vai acabar o inquérito? Quando terminar’. Tem tido sempre notícias sobre esses fatos. Ataques insólitos. Agora nós estamos em meio a uma campanha eleitoral que foi antecipada. Já no ano passado, nós tivemos esse tipo de antecipação de campanha.
Muitos dizem que até o próprio governo contribuiu para isso. Ora, é razoável, eu vou inverter a pergunta. É razoável, considerando o êxito desse inquérito, encerrá-lo agora? E aí, é curioso, porém, é muito curioso, nós somos a única Corte no mundo que enfrentamos (sic) governo autoritário, com proposta de derrubada da democracia, e que fomos exitosos. Em geral, as Cortes são fechadas. Um instrumento importante foi o inquérito da fake news e que continua sendo, portanto, importante. Não se trata de continuidade de uma investigação apenas. Há também continuidade de uma investigação. Eu não conheço o inquérito. Jamais lá estive perto disto, mas eu acho extremamente relevante que, sobretudo nesse contexto pré-eleitoral e eleitoral, em que as pessoas estão fazendo testes, limites, episódios como esses que nós estamos aqui tratando têm a ver um pouco com isso. Até onde eu posso ir? Será que eu posso agredir o ministro do Supremo e ficar sem nenhuma resposta?“
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