Deputados pedem impeachment de ministro de Lula
Pedido de parlamentares da oposição é embasado com a suposta expulsão de um delegado da PF brasileira dos Estados Unidos
O deputado federal Helio Lopes (PL-RJ) protocolou nesta quarta-feira, 22, um pedido de impeachment contra o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, por crime de responsabilidade. O motivo é a suposta expulsão de um delegado da Polícia Federal (PF) brasileira dos Estados Unidos.
O Departamento de Assuntos do Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos informou, em sua conta no X, na segunda-feira, 20, a expulsão de um “funcionário brasileiro relevante” por “manipular o sistema de imigração para contornar pedidos de extradição” e “prolongar caça às bruxas política”.
O funcionário citado seria o delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho, que atuava como oficial de ligação com o Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE, na sigla em inglês), em Miami. Carvalho exercia a função desde agosto de 2023.
Na última quinta-feira, 16, a PF reuniu-se com as autoridades americanas para entender as condições da soltura do ex-deputado federal Alexandre Ramagem.
Desde a prisão, aliados do ex-deputado acusaram autoridades brasileiras de tentarem usar o ICE para driblar o pedido de extradição.
O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, porém, negou nesta quarta Marcelo Ivo de Carvalho tenha sido expulso dos Estados Unidos. Segundo Rodrigues, o agente envolvido na detenção de Ramagem retornou ao Brasil por sua determinação.
“Fatos gravíssimos”
O pedido de impeachment apresentado por Helio Lopes é assinado também pelo líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto Silva (PL-PB). Segundo Lopes, serão adotadas tambem medidas na esfera penal contra Wellington César Lima e Silva, com o encaminhamento dos fatos ao Ministério Público.
“Os fatos que motivam essa decisão são graves. Fatos gravíssimos. Um delegado da PF que atuava nos EUA foi retirado do país pelas autoridades americanas. Isso não é normal, é inadmissível. Isso não acontece sem motivo. Segundo as informações, houve uma atuação considerada irregular, fora dos canais legais de cooperação internacional. Isso gerou uma crise e isso atinge diretamente a imagem do Brasil”, pontuou o deputado, em coletiva de imprensa.
“A nossa medida trata de dois pontos: responsabilidade por ação, se houve autorização ou participação em algo que não deveria ter acontecido, ou responsabilidade por omissão, se houve falha de comando, permitindo que isso acontecesse”, acrescentou.
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