Hospital público de SP opera gêmeos ainda no útero
Unidade especializada em saúde feminina trata condição que compromete circulação sanguínea entre fetos
O AME Mulher, hospital da rede pública estadual de São Paulo, realizou uma cirurgia fetal em gestante de 19 semanas, portadora de síndrome que afeta gêmeos que dividem a mesma placenta. O procedimento, de alta complexidade técnica, foi concluído sem intercorrências. A paciente segue em acompanhamento médico até o nascimento dos bebês.
Desequilíbrio no fluxo sanguíneo ameaça os dois fetos
A Síndrome de Transfusão Feto-Fetal (STFF) ocorre quando ligações anômalas entre vasos sanguíneos da placenta fazem com que um dos gêmeos transfira sangue ao outro de forma contínua e desequilibrada.
O feto doador tende a apresentar volume reduzido de líquido amniótico e comprometimento do crescimento. O receptor, por sua vez, fica sujeito a sobrecarga cardíaca e acúmulo excessivo de líquido.
Sem intervenção médica, a condição eleva o risco de parto prematuro e de morte de um ou ambos os fetos. O diagnóstico costuma ser feito por ultrassonografia no segundo trimestre da gestação. Entre os sinais observados estão o crescimento acelerado do abdômen da gestante, ganho de peso fora do padrão esperado e contrações precoces.
Intervenção foi conduzida por equipe do AME Mulher
A cirurgia foi realizada no AME Mulher, primeiro Ambulatório Médico de Especialidades do estado dedicado exclusivamente ao atendimento feminino, instalado no Hospital Maternidade Leonor Mendes de Barros, na capital paulista.
A equipe responsável pelo procedimento é liderada pelo médico fetal Maurício Saito. O diretor de Obstetrícia da unidade, Rodrigo Rovai, atribuiu o resultado à articulação entre os profissionais envolvidos e à organização dos fluxos assistenciais.
A diretora técnica da maternidade, Cynthia Parras, destacou o significado do caso para o sistema público: “A realização do procedimento marca um avanço na capacidade da unidade para atender casos complexos na rede pública, ampliando o acesso a tratamentos especializados e aumentando as chances de desfechos positivos para mães e bebês”.
Técnicas modernas chegam ao SUS
A incorporação de procedimentos avançados de medicina fetal ao SUS (Sistema Único de Saúde) amplia as alternativas disponíveis para gestações classificadas como de alto risco.
A abordagem integrada entre os serviços da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo é apontada como fator determinante para viabilizar esse tipo de atendimento na rede pública.
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