Girão critica inclusão de Zema em inquérito das fake news
Parlamentar fala em “vergonhoso movimento” dos ministros da Corte e cobra reação do Senado
O senador Eduardo Girão (Novo-CE) elevou o tom contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), após movimentação que pode levar à inclusão do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, no inquérito das fake news. Em publicação nas redes sociais, nesta segunda-feira, 20, o parlamentar classificou a iniciativa como “vergonhoso movimento ” e afirmou que há um ambiente de intimidação promovido pela Corte.
Na véspera do feriado de Tiradentes, Girão associou o episódio a um contexto mais amplo de atuação do Judiciário. “Eles não se acham deuses; eles têm certeza! Na véspera de Tiradentes ainda cometem o erro de intimidar outro mineiro corajoso. Agora, via inquérito irregular que há 7 anos é uma espada na cabeça do brasileiro de bem… Mais um vergonhoso movimento dos ‘intocáveis’ que não perceberam ainda a ruína de suas ‘farras’”, escreveu.
Leia mais: Crusoé: “O intocável ataca novamente”, diz Zema sobre Gilmar
O senador também vinculou o tema à percepção pública sobre o Supremo e fez referência direta ao Congresso ao ampliar as críticas ao que considera excessos institucionais. “Mas tudo o que se planta, se colhe; nada de avião de carreira, nem shoppings para eles. Só circulam em ambientes totalmente controlados”, escreveu.
Na sequência, Girão apontou para um possível desdobramento político no Legislativo, citando diretamente o papel do Senado no cenário atual. “Na opinião pública vão de mal a pior há tempos e todo mundo já entendeu que o Senado Federal fará impeachments antes do que se imagina. Que voltemos a ter Justiça e democracia em nossa Nação”, concluiu.
Entenda
A reação de Girão ocorre após o ministro Gilmar Mendes, decano do STF, apresentar notícia-crime ao colega Alexandre de Moraes pedindo a inclusão de Zema no inquérito das fake news. Segundo revelou a Folha de S.Paulo, o pedido foi encaminhado sob sigilo à Procuradoria-Geral da República, comandada por Paulo Gonet, para manifestação.
O motivo da iniciativa foi a publicação, por Zema, de uma animação satírica intitulada “Os Intocáveis”. Nos vídeos, personagens fazem referência a ministros do Supremo em situações que remetem a investigações e decisões recentes. Em um dos episódios, figuras associadas a Dias Toffoli e ao próprio Gilmar aparecem em diálogo que ironiza relações com o setor privado.
Gilmar sustenta que o conteúdo ultrapassa os limites da crítica. “Vilipendia não apenas a honra e a imagem deste Supremo Tribunal Federal, como também da minha própria pessoa”, afirmou. O ministro também argumenta que o vídeo utiliza “sofisticada edição profissional e avançados mecanismos de ‘deep fake’” para simular vozes e criar diálogos inexistentes com potencial de ampla disseminação.
O caso se insere em um contexto mais amplo de controvérsia envolvendo o inquérito das fake news, instaurado em 2019 e sem prazo definido para conclusão. O procedimento é utilizado pelo STF para investigar ataques à Corte e a seus integrantes, mas vem sendo alvo de críticas recorrentes de parlamentares e juristas que apontam concentração de poderes e ausência de delimitação clara.
A tensão aumenta porque o episódio se soma a outros embates recentes entre o Supremo e setores do Congresso. Em paralelo, decisões envolvendo investigações conduzidas no âmbito da Corte têm sido questionadas politicamente, alimentando um ambiente de desgaste institucional.
Leia também: OAB pede fim do inquérito das fake news
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)