“Ameaças não vão mudar o curso da história”, diz Vieira após ação de Gilmar
Senador diz estar amparado pela imunidade parlamentar e que dará resposta com “absoluta tranquilidade”
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) afirmou nesta quarta-feira, 15, que responderá com “absoluta tranquilidade” à representação apresentada pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, junto à Procuradoria-Geral da República (PGR), que pede a investigação do parlamentar por suposto abuso de autoridade.
Em publicação na rede X, Vieira disse estar amparado pela imunidade parlamentar e afirmou que “ameaças e tentativas de constrangimento” não irão alterar o “curso da história”.
“A representação apresentada pelo ministro Gilmar Mendes, na condição de suposta vítima de abuso, será respondida com absoluta tranquilidade e dentro do rigor técnico devido. É cristalino que um senador, ao manifestar sua avaliação jurídica sobre fatos concretos em voto proferido no âmbito de uma CPI, não comete abuso de autoridade e está resguardado pela imunidade parlamentar. Ameaças e tentativas de constrangimento não vão mudar o curso da história”, escreveu.
Representação
Gilmar representou junto à PGR solicitando a investigação do senador por suposto abuso de autoridade.
A iniciativa ocorreu após Vieira, na condição de relator da CPI do Crime Organizado, pedir o indiciamento do decano do STF em relatório final. A proposta acabou rejeitada por 6 a 4.
“Sendo certo o desvio de finalidade praticado pelo Senador Relator da CPI do Crime Organizado e a potencial incidência de sua conduta nos tipos penais descritos na Lei 13.869/2019 e em outros marcos repressivos criminais, requerse a apuração destes acontecimentos e a adoção das medidas cabíveis”, diz trecho.
Na manifestação, Gilmar afirma que o relatório “vale-se de juvenil jogo de palavras envolvendo os crimes de responsabilidade” para, segundo ele, sugerir que caberia à CPI “realizar indiciamentos a respeito dessa temática, quando isso não corresponde à realidade.”
“A teratologia da referida minuta de Relatório Final nesse particular é patente não somente porque, sob o ponto de vista material, (i) a proposta de indiciamento não encontra guarida em dados concretos, como também porque, sob o ponto de vista processual, (ii) referida proposição em nada se correlaciona com o escopo investigativo inicialmente delineado por seus integrantes e, (iii) de forma hialina, percebe-se que as alegações lá formuladas não correspondem às searas penal e processual penal, mas à administrativa”, continua.
Vieira inelegível?
Gilmar já havia sinalizado no X que não deixaria passar o pedido de indiciamento feito pelo relator da CPI do Crime Organizado.
“As CPIs são instrumentos legítimos e essenciais ao controle do exercício do poder. Seu emprego para fins panfletários ou de constrangimento institucional, contudo, compromete sua credibilidade e reforça a necessidade de modernização da legislação sobre crimes de responsabilidade — tema que já se encontra em debate no Congresso. Excessos desse quilate podem caracterizar abuso de autoridade e devem ser rigorosamente apurados pela Procuradoria-Geral da República.”
Uma condenação pode tonar Vieira inelegível e retirá-lo da disputa da reeleição em outubro.
“Se esqueceu dos colegas milicianos”
Durante a sessão do Supremo de terça-feira, 14, Gilmar afirmou que Alessandro Vieira “se esqueceu dos seus colegas milicianos” ao elaborar o relatório da CPI do Crime Organizado.
“Quando vi meu nome inserido nessa tal lista de indiciados, por parte do relator deste caso, eu disse: ‘é curioso’. Ele se esqueceu dos seus colegas milicianos e decidiu envolver o STF por ter concedido um habeas corpus. Mas só esse fato narrado mostra exatamente que nós descemos muito na escala das degradações. Eu queria fazer este registro, porque reputo que a situação é grave e exige um posicionamento”, disse.
Manobra do governo
A CPI do Crime Organizado rejeitou, por seis votos a quatro, o relatório final apresentado por Alessandro Vieira.
O documento pedia o indiciamento dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes. Além deles, o procurador-geral, Paulo Gonet, também foi alvo do pedido.
A reprovação ocorreu após a base do governo Lula no Senado articular uma uma alteração na composição da CPI.
Parlamentares que tendiam a votar a favor do documento foram substituídos por outros que votaram contra.
Com a articulação da base governista, saíram da CPI Sergio Moro (PL-PR) e Marcos do Val (Avante-ES). No lugar, também como membros titulares, entraram Beto Faro (PT-PA) e Teresa Leitão (PT-PE).
Além disso, Soraya Thronicke (PSD-GO) substituiu Jorge Kajuru (PSD-GO) como titular, e Camilo Santana (PT-CE) entrou no lugar de Randolfe Rodrigues (PT-AP) na suplência.
O placar final, portanto, rejeitou o parecer.
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Comentários (2)
Fabio
15.04.2026 23:05Coragem desse Senador. Um Senado minimamente normal tiraria no mínimo metade do STF, principalmente os criminosos.
Andre Luis dos Santos
15.04.2026 20:49GM dizendo "nós descemos muito na escala das degradações" se referindo a outros e, no minimo, irônico. O Brasil é uma pseudo-republica e uma pseudo-democracia. O risco pro Senador é que STF, PGR e Governo são todos "buddy-buddy" e, pra articularem uma inelegibilidade não é dificil.