Lindbergh pede que PF apure “quem está protegendo quem” no BC
Deputado e vice-líder do PT na Câmara critica postura de Galípolo após presidente do BC isentar antecessor em depoimento à CPI
“A Polícia Federal tem que investigar tudo, quem está protegendo quem, como foi feito”, disse o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) nesta segunda-feira, 14, sobre o depoimento do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, à CPI do Crime Organizado.
Galípolo havia afirmado que nenhuma auditoria ou sindicância interna apontou envolvimento do ex-presidente da instituição, Roberto Campos Neto, no caso do Banco Master — declaração que o parlamentar classificou como sinal de “corporativismo” dentro do BC.
Críticas ao Banco Central
Em entrevista à GloboNews, Lindbergh foi direto ao avaliar a fala de Galípolo: “No mínimo, tem um corporativismo do Banco Central, porque ele disse que não tinha nada em auditorias e sindicâncias”.
Para o deputado, a ausência de registros internos não exime Campos Neto de responsabilidade, já que a autoridade monetária autorizou as três tentativas de aquisição do Master durante sua gestão. “Essa postura dele joga luz sobre todo o Banco Central”, acrescentou.
O parlamentar também lembrou que foi a própria Polícia Federal que prendeu Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária, e Paulo Sérgio de Souza, ex-diretor de Fiscalização — ambos investigados pelas fraudes atribuídas ao Master.
Segundo Lindbergh, ao deixar o cargo, Campos Neto indicou os dois para recondução à Diretoria de Fiscalização, mas o ministro Fernando Haddad optou por outro nome.
Disputa pela narrativa política
Autor de pedidos de investigação contra Campos Neto enviados à Procuradoria-Geral da República, Lindbergh também reagiu às tentativas da oposição de vincular o escândalo ao governo Lula: “Vira e mexe, eles estão tentando empurrar às costas do PT e do governo esse Banco Master. Esse Banco Master é obra, é ovo da serpente do Bolsonaro e do Roberto Campos”, declarou, referindo-se à indicação de Campos Neto pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
Para o deputado, o caminho para esclarecer o caso passa necessariamente por uma investigação ampla da PF. “Acho que só existe esse caminho”, disse.
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