A tentativa de enfraquecer Moro
Como o Centrão usou a reforma administrativa para tentar tirar de Sergio Moro uma das principais ferramentas de combate à corrupção.
Até o governo Temer, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras integrava o Ministério da Fazenda. Na reforma administrativa proposta por Jair Bolsonaro, o Coaf passou aos cuidados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Ou seja, de Sergio Moro.
Cabe ao órgão notificar suspeitas de lavagem de dinheiro. Com um histórico de bons resultados no combate à corrupção, a ideia de o Coaf ficar aos cuidados de alguém ligado à Lava Jato desagradou.
– Rasteira em Moro
Em 10 de abril, O Antagonista pontuou o início de uma operação contra Moro.
Os deputados estão preparando o golpe para tirar o Coaf das mãos de Sergio Moro. O AntagonistaDuas semanas depois, o próprio Bolsonaro viu vantagem numa volta do Coaf à pasta econômica. Seria uma forma de garantir a aprovação da reforma administrativa.
Não me oponho em voltar o Coaf para o Ministério da Economia, apesar de o Paulo Guedes estar com muita coisa. Falei hoje com o senador Fernando Bezerra sobre a votação. Tem um ponto ou outro. Se não aprovar, será uma bagunça. Teremos que ter mais sete ministros. Jair BolsonaroMas Moro discordou do chefe. E explicou no Twitter os motivos.
– Em defesa do ministro Com a reestruturação do órgão, os relatórios de inteligência financeira do Coaf cresceram 25% em 2019.Há discussão no Congresso para ele voltar para a Economia. Respeitosamente, não é o melhor. O Min. Guedes não quer. Qualquer decisão será, por óbvio, respeitada, mas estamos conversando com os parlamentares para mantê-lo. No combate ao crime, integração é a chave.
— Sergio Moro (@SF_Moro) April 27, 2019
Antes de Sergio Moro, o órgão tinha 30 servidores, hoje tem mais de 50 e até o final do ano terá ao menos 65. O AntagonistaO Conselho Nacional de Chefes de Polícia Civil publicou uma nota defendendo que o Coaf continuasse ligado ao Ministério da Justiça.
A proximidade do Coaf com os órgãos de segurança pública, especialmente Polícia Federal e Polícias Civis, responsáveis pelas investigações, facilita a formatação de conhecimentos de inteligência e dados e informações para as investigações criminais, qualificando o resultado dos inquéritos policiais. Conselho Nacional de Chefes de Polícia CivilA Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais seguiu a mesma linha.
O acúmulo de conhecimento conquistado nesses anos permite afirmar que a permanência do Coaf na estrutura do Ministério da Justiça, focada no combate à corrupção, é uma medida concreta para evitar a continuidade e a repetição de crimes como os identificados pela Lava Jato nas áreas contábil e financeira. Marcos Camargo, presidente da Associação Nacional dos Peritos Criminais FederaisO próprio presidente do Coaf queria continuar onde se encontra.
Roberto Leonel, que preside o Coaf desde o início do governo de Jair Bolsonaro, defendeu a permanência do órgão no Ministério da Justiça. O Antagonista– Simplesmente ignoraram Enquanto isso, oito emendas da oposição buscavam no Congresso entregar o Coaf a Paulo Guedes. Contavam, para tanto, com o apoio do Centrão.
“Essa questão do Coaf só não se resolveu ainda porque não votou. Se o relator não fizer, a gente vai tirar do texto da MP da mesma forma, entrando com uma emenda supressiva.” Arthur Lira, PPMoro mais uma vez reagiu. Desta vez, na TV.
Em matéria de segurança pública e enfrentamento ao crime organizado, a integração é tudo. Nós, então, entendemos que o Coaf é um órgão extremamente importante para a prevenção da lavagem de dinheiro. E isso vai facilitar a integração principalmente com os órgãos policiais e do Ministério Público. Sergio MoroO Antagonista avaliou que, até aquele 30 de abril, Bolsonaro mantinha uma postura arriscada.
Jair Bolsonaro, por meio de seu porta-voz, disse que defende – “neste momento” – a permanência do Coaf com Sergio Moro. Ele acrescentou, porém, que “estudos prosseguem no sentido de analisar se essa decisão inicial do nosso presidente deve ser referendada ou eventualmente retificada.” A ambiguidade de Jair Bolsonaro escancara as portas para os golpistas anti-Moro. O AntagonistaDias depois, Moro não escondeu que estava decepcionado. Nos bastidores, chegou a falar em demissão.
Sergio Moro não está nada satisfeito com as recorrentes sabotagens contra sua gestão e chegou a falar com assessores sobre uma possível demissão, caso seu pacote anticrime não seja aprovado. O Antagonista– Reviravoltas Em 6 de maio, o relator da reforma administrativa anunciou que Moro havia perdido a batalha – o presidente cederia à pressão do Centrão.
Fernando Bezerra disse que o Palácio do Planalto admite tirar o Coaf de Sergio Moro. O AntagonistaApós uma reunião com o próprio Moro, Fernando Bezerra voltou atrás, prometendo que o Coaf continuaria no Ministério da Justiça.
Eu trouxe uma notícia boa. Após ouvidos os presidentes da Câmara e do Senado, e ouvido o ministro Onyx, vamos manter o Coaf no Ministério da Justiça no nosso relatório. Fernando BezerraO Centrão, claro, não desistiu. E prometia derrotar o relator no plenário.
A preocupação dos políticos é que Sergio Moro tenha a intenção de ser um superministro e usar o Coaf para fortalecer uma espécie de Estado policial. João Roma, PRBMas Moro se afinara com Guedes. O Coaf poderia até sair do Ministério da Justiça, mas o ministro da Justiça não perderia articulação com o conselho.
Sergio Moro e Paulo Guedes estão perfeitamente afinados. Se o Congresso Nacional transferir o Coaf para o Ministério da Economia, Paulo Guedes vai manter os nomes escolhidos por Sergio Moro e a estrutura que foi montada por ele. O Coaf pode sair de Sergio Moro, mas Sergio Moro não vai sair do Coaf. O AntagonistaAo final da manhã deste 7 de maio, o Centrão refugava, topando manter o Coaf com Moro. Contudo, queria não só uma ampliação do número de ministérios, como também poder para indicar os futuros ministros.
Seria uma sinalização importante na interlocução com o Congresso, um afago nos parlamentares nesse momento importante. De um congressista sob anonimatoAo que tudo indica, a novela ainda não acabou.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)