Por que os venezuelanos não migram para Cuba?
Infográfico publicado pelo Council on Foreign Relations mostra o destino dos mais de 3 milhões de venezuelanos que deixaram o país para escapar de Nicolás Maduro.
Um infográfico publicado pelo Council on Foreign Relations mostra o destino dos mais de 3 milhões de venezuelanos que deixaram o país para escapar do socialismo de Nicolás Maduro. Cerca de 80% deles permanecem na América Latina, sendo a Colômbia e o Peru os principais destinos dos imigrantes e refugiados.
Para surpresa de ninguém, o infográfico não mostra um só venezuelano que tenha migrado para Cuba, o paraíso socialista e país com maior influência em Caracas.

Neste artigo você vai entender melhor o tamanho da crise migratória, sua relação com Cuba, e seus efeitos no Brasil.
– Crise na Venezuela pode passar a da Síria
Há estimativas diferentes sobre o número de imigrantes que deixam a Venezuela, mas a quantidade é sempre grande. Para a Organização Internacional para as Migrações (OIM), cerca de 3,4 milhões de venezuelanos haviam deixado o país até janeiro deste ano. Mas reportagem da The Economist em agosto de 2018 avaliava que o número já poderia ter chegado a 4 milhões.
“O fluxo pode acabar ultrapassando os 6 milhões que fugiram da guerra civil na Síria”, diz o texto.
Sim, Maduro pode acabar deslocando mais gente do que Assad.
– A conexão cubana
Como O Comentarista mostrou em Os capangas cubanos de Maduro, espiões e milicianos cubanos atuam abertamente na Venezuela. Segundo o secretário de Estado Mike Pompeo contou ao Conselho de Segurança da ONU, eles “treinaram os capangas da segurança e inteligência de Maduro nas piores práticas utilizadas em Cuba”.
Além disso, na Venezuela existe um programa semelhante ao Mais Médicos, e os médicos cubanos são obrigados por seus supervisores a usar o trabalho para fins políticos, incluindo instruir os pacientes a votarem nos candidatos de Maduro e suspender tratamentos para datas mais próximas das eleições.
Mesmo um venezuelano potencialmente deslumbrado com o socialismo cubano pensaria duas vezes antes de fugir para Cuba tendo testemunhado o regime na prática em sua própria terra.
– O efeito no Brasil
Proporcionalmente, o Brasil não recebe muitos imigrantes venezuelanos. Nos números da OIM, usados no infográfico do CFR, foram 96 000, ou pouco menos de 3% do total. Até a Argentina e o Chile, países mais distantes da Venezuela, receberam mais.
Naturalmente, os imigrantes não se distribuem igualmente pelo país. Os estados da região Norte são os mais afetados, principalmente Roraima, onde está Pacaraima, por onde chegam a maior parte dos venezuelanos.
Na eleição de 2018, dos quatro estados com maior votação proporcional para Bolsonaro no 2º turno, três são do Norte: Acre, Rondônia e Roraima. Em todos eles, o atual presidente teve mais de 70% dos votos válidos.
– O karma migratório
A Colômbia é o principal destino dos venezuelanos. Recebeu mais de 1 milhão deles, ou cerca de um terço dos que fugiram da ditadura de Maduro.
A vídeo-reportagem abaixo, da revista eletrônica Vox, ajuda a entender por que o governo e povo da Colômbia mantém as portas abertas. O vídeo pode ser visto com legendas em português.
Nos anos 80 e 90, foi a Venezuela quem recebeu imigrantes e refugiados colombianos, que buscavam escapar da violência das FARC e da crise econômica.
Agora, os colombianos retribuem o favor.
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