Lindbergh aciona STF contra Moro por fala sobre eleição de 2022
Petista quer que senador seja incluído em inquérito das milícias digitais após declaração que põe em dúvida legitimidade do pleito
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), vice-líder do governo na Câmara, protocolou notícia de fato junto ao Supremo Tribunal Federal requerendo abertura de investigação contra o senador Sérgio Moro (PL-PR).
O pedido foi encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito das milícias digitais, e solicita que as declarações do senador sejam apuradas e que ele seja incluído no inquérito em curso.
Na representação, Lindbergh argumenta que a fala de Moro, durante evento de filiação ao PL, integra a mesma estratégia de desinformação que, antes de 8 de janeiro de 2023, atacou o sistema eleitoral, as urnas eletrônicas e a legitimidade do voto popular.
“Reabrir essa narrativa é manter viva a ofensiva antidemocrática contra a soberania popular”, afirmou Lindbergh no documento. O petista pede ainda que a Procuradoria-Geral da República seja ouvida no processo. “O objetivo é impedir que a mentira organizada continue sendo tratada como comentário trivial”, concluiu.
A declaração de Moro
Ao discorrer sobre violência urbana no país, Moro afirmou que o brasileiro “tem medo de sair à rua” e não enxerga no presidente um aliado. “A visão que ele tem é que o presidente da República, o nosso presidente da República, que não é nosso, mas foi eleito entre aspas, está do lado dos criminosos”, disse o senador durante o discurso.
Questionado na coletiva de imprensa após o evento, Moro manteve a posição. “Foi eleito em cima de uma mentira de que ele seria inocente. Ele nunca foi inocentado pelo Supremo Tribunal Federal. Foi condenado em várias instâncias”, declarou.
Contexto jurídico
A afirmação de Moro de que Lula “nunca foi inocentado” pelo STF é uma crítica à reviravolta do processo, com base em controvérsias processuais, e não de mérito.
Em março de 2021, a Segunda Turma do STF concedeu habeas corpus a Lula e reconheceu a parcialidade do próprio Moro nos processos da Operação Lava Jato. Três meses depois, o plenário confirmou a decisão, por 7 votos a 4.
Com a anulação das condenações, os direitos políticos de Lula foram reestabelecidos, o que viabilizou sua candidatura em 2022. O STF não declarou formalmente sua inocência, mas reconheceu vício de competência nos processos.
O ministro Dias Toffoli, em setembro de 2023, chegou a classificar a prisão do presidente como “um dos maiores erros judiciários” da história do país.
Leia também: “Lula está do lado dos criminosos”, diz Moro em evento do PL
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Comentários (2)
Andre Luis dos Santos
25.03.2026 21:12Lindinho ta preocupadinho?
Claudemir Silvestre
25.03.2026 20:16La vem os Esquerdopatas com essa historinha pra boi dormir de “ milícias digitais “ !! O nome disso é DESESPERO !! Sabem que vão perder as eleições !!