CPI do Crime Organizado aprova convocação de ex-noiva de Vorcaro
Martha Graeff deve depor sobre contatos, encontros e relatos envolvendo o empresário
A CPI do Crime Organizado aprovou, nesta quarta-feira, 18, a convocação da influenciadora Martha Graeff, ex-noiva de Daniel Vorcaro, empresário investigado no caso Banco Master. Ela será ouvida como testemunha no Senado, mas sem data definida. O requerimento foi apresentado pelo relator da comissão, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), que aponta Graeff como uma possível fonte de esclarecimento sobre relações e movimentações atribuídas ao empresário.
Segundo a justificativa do parlamentar, ela manteve interlocução frequente com o investigado e teria recebido relatos diretos sobre encontros, viagens e contatos com autoridades. “Pode iluminar aspectos que nenhum outro depoente reuniria condições de detalhar: os objetivos que ele perseguia, as expectativas que expressou e as conclusões que tirou das reuniões”, afirmou Vieira.
De acordo com elementos reunidos pela Polícia Federal, há registros em que o empresário descreve articulações com integrantes dos Três Poderes, incluindo nomes do alto escalão da política e do Judiciário. A expectativa da CPI é que o depoimento ajude a contextualizar essas informações e esclarecer a natureza dessas relações.
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Martha Graeff
Martha Graeff, que atua como empresária, modelo e influenciadora, vive em Miami, nos Estados Unidos. Conversas mantidas entre ela e Daniel Vorcaro vieram à tona após a quebra de sigilo autorizada na investigação. Nos diálogos, o empresário faz menção a autoridades e afirma ter proximidade com integrantes de diferentes esferas de poder.
Na última semana, 8, a defesa de Martha Graeff divulgou nota afirmando que a cliente sofreu “grave violência” com a divulgação de mensagens privadas atribuídas a conversas com o banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo o comunicado, a exposição de trechos de conversas teria ocorrido de forma “manifestamente ilegal” e com base em “mensagens fragmentadas trocadas no ambiente restrito da intimidade de casal”.
Na nota, o advogado afirma que Graeff não mantém relacionamento com Vorcaro há meses e sustenta que ela “jamais esteve envolvida em qualquer tipo de ilicitude penal”.
A defesa também diz que a divulgação das mensagens não teria utilidade para eventuais investigações e classificou a publicização do conteúdo como um “desvio de finalidade”. De acordo com o texto, a difusão das conversas representaria violação da intimidade e exposição indevida da vida privada.
“O conteúdo divulgado não apenas se mostra inócuo a qualquer procedimento investigativo penal, como também subverte valores constitucionais que asseguram a inviolabilidade da intimidade”, afirma a nota.
Os advogados acrescentam que a exposição das conversas teria atingido a esfera privada da cliente e defendem que o caso exige “prudente atenção” diante da divulgação de aspectos da vida pessoal. A defesa informou ainda que Graeff pretende adotar “todas as providências cabíveis” para resguardar seus direitos, incluindo medidas judiciais e extrajudiciais contra quem, segundo o comunicado, tenha contribuído para a divulgação das mensagens.
CPI
Além da convocação de Martha Graeff, a comissão aprovou a oitiva do secretário de Proteção e Defesa do Consumidor do Rio de Janeiro, João Pires. A intenção é aprofundar a apuração sobre o uso do setor de combustíveis como possível fonte de financiamento e lavagem de dinheiro por organizações criminosas.
Os senadores também autorizaram o envio de pedidos de informação à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), ao Banco Central e à Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA). O objetivo é obter a listagem de fundos de investimento exclusivos ou restritos vinculados ao Banco Master e à REAG Investimentos, além da identificação dos beneficiários finais dessas estruturas.
Para o relator, o cruzamento desses dados é essencial para avançar na investigação. “O mapeamento dos verdadeiros donos do capital permitirá desvendar a rede de relacionamentos financeiros dos investigados e identificar eventual proveito econômico decorrente das práticas apuradas”, concluiu.
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