“Não posso afirmar culpa de Lulinha, mas houve blindagem”, afirma presidente da CPMI
Senador Carlos Viana diz que base governista travou acesso a provas e denuncia interferências no avanço da apuração
O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou que a comissão esbarrou em obstáculos políticos e judiciais que impediram o avanço de investigações envolvendo Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha. A declaração foi dada em entrevista ao programa Roda Viva nesta segunda-feira, 16.
“A viagem do filho do presidente, juntamente com o Antônio Carlos Camilo, o ‘Careca do INSS’, já era do nosso conhecimento há muito tempo. Nós temos uma testemunha que organizou toda a viagem e também os pagamentos, com detalhes”, disse.
Segundo o senador, o depoimento foi encaminhado à Polícia Federal e contribuiu para operações que resultaram na apreensão de bens de alto valor. “Essa pessoa foi muito detalhista, prestou vários depoimentos e isso gerou operações da própria polícia, com apreensão de carros de luxo e obras de arte”, afirmou.
Apesar dos relatos, Viana disse que não é possível atribuir responsabilidade direta a Lulinha e voltou a criticar o que chamou de “blindagem”. “Eu não posso dizer que o filho do presidente Lula tenha culpa, porque nós não temos a prova. A base do governo não nos deixou quebrar o sigilo, nem ter acesso, por exemplo, à lista de viagens. Houve uma blindagem em relação a isso”, declarou.
Ele afirmou que há indícios, mas sem acesso a documentos a investigação fica limitada. “O que nós temos é uma testemunha que foi clara em dizer que o filho do presidente recebia mesadas do ‘Careca do INSS’. Agora, sem acesso aos dados, não há como afirmar responsabilidade”, disse.
O senador também relatou a situação da testemunha. “Essa pessoa já teve o nome divulgado, mas não por nós. Teve que se mudar, está em local incerto, porque corre risco de vida e pediu proteção. É alguém que trouxe informações relevantes para a investigação”, concluiu.
O que diz a defesa?
O advogado Marco Aurélio de Carvalho, consultor jurídico de Lulinha, afirmou nesta segunda-feira, 16, afirmou nesta segunda-feira, 16, que o filho do presidente Lula viajou para Portugal com o Careca do INSS. Carvalho afirmou que a viagem ocorreu em novembro de 2024, quando Lulinha visitou uma fábrica de produtos de cannabis medicinal acompanhado do Careca. No entanto, o advogado garante que o filho de Lula não participou das fraudes do INSS.
“Fábio viajou com o Antônio Camilo, a convite do Antônio Camilo, então um empresário de sucesso no ramo farmacêutico, que ele conheceu através da sua amiga Roberta Luchsinger, a empresária Roberta. Nunca trabalhou com Antônio Camilo e essa viagem não rendeu, qualquer que tenha sido, contrato de forma direta ou indireta. Ele foi conhecer a extração de canabidiol, demonstrou uma curiosidade, foi convidado e aceitou o convite e viajou para Portugal”, disse Carvalho em entrevista ao GloboNews Mais.
Lulinha teve os sigilos bancário e fiscal quebrados pela Polícia Federal (PF) e pela CPMI do INSS. No entanto, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu a decisão.
Leia mas: PF apontou risco de evasão de Lulinha do país
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Comentários (1)
Lulinha quer iniciar a plantação de cannabis no Brasil, daí reduz o tráfico.