Cientistas descobrem que até chimpanzés “pagam caro” por cristais
O interesse de chimpanzés por cristais tem chamado atenção de cientistas que investigam a origem evolutiva da noção de valor entre primatas
O interesse de chimpanzés por cristais tem chamado atenção de cientistas que investigam a origem evolutiva da noção de valor entre primatas.
Em um centro de resgate na Espanha, um grupo de animais enculturados recebeu diferentes tipos de pedras e cristais, exibindo comportamentos específicos diante dos objetos brilhantes. As reações observadas levantam hipóteses sobre raízes profundas da atração por “pedras que brilham”.
O que motiva a curiosidade de chimpanzés por cristais?
Os pesquisadores buscaram entender se a antiga fascinação humana por cristais, gemas e metais preciosos tem paralelo em espécies próximas, como os chimpanzés. Achados arqueológicos indicam que hominínios coletam cristais há centenas de milhares de anos, mesmo sem uso prático aparente.
Ao observar um grupo em ambiente controlado, a equipe avaliou se essa sensibilidade visual e possivelmente simbólica poderia ser compartilhada entre espécies. A comparação ajuda a discutir quando objetos não funcionais começaram a ganhar importância especial na história dos primatas.

Como os chimpanzés interagem com cristais no experimento?
Na primeira etapa, os animais tiveram acesso a um grande cristal de quartzo, o “monólito”, colocado ao lado de uma rocha comum de tamanho semelhante. Ambos chamaram atenção no início, mas, com o tempo, o cristal tornou-se o foco central de exploração.
Os chimpanzés retiraram o cristal da plataforma, giraram, inclinaram e levaram o objeto para a área de descanso. Com cristais menores, eles repetiram o comportamento, localizando rapidamente as pedras de quartzo em meio a seixos comuns e discriminando pirita e calcita pelo brilho.
Que indícios de valor e escolha surgem nesse comportamento?
Os testes sugerem que os chimpanzés não apenas identificam cristais brilhantes, mas também os tratam como itens especiais. Alguns indivíduos levaram repetidamente as pedras para suas áreas de sono, indicando possível comportamento de guarda ou armazenamento.
Quando os pesquisadores tentaram recuperar os cristais, precisaram oferecer quantidades consideráveis de alimento. Para resumir os principais sinais de atribuição de valor observados, podemos destacar:
- Preferência visual: cristais chamaram mais atenção que rochas opacas.
- Transporte para áreas de descanso: possível apego ou reserva pessoal.
- Separação e classificação: distinção entre tipos com base em brilho e forma.
- Resistência à troca: manutenção do objeto mesmo diante de comida atraente.
De que forma brilho e geometria se ligam à evolução do valor?
Na natureza, a maioria das formas é curva e irregular, enquanto cristais apresentam faces planas, arestas definidas e, muitas vezes, transparência. Essa combinação de geometria regular e reflexo luminoso constitui um estímulo visual raro para primatas.

Pesquisadores sugerem que, para ancestrais humanos, esses sólidos naturais desencadearam atenção prolongada, favorecendo um tipo inicial de “valor simbólico”.
Brilho, cor e simetria, hoje centrais em joias e ornamentos, podem ter começado apenas como estímulos visuais incomuns, depois associados a prestígio e troca.
Esse interesse por cristais é exclusivo de chimpanzés e humanos?
Registros em etologia indicam que algumas aves, como os bowerbirds, também coletam objetos brilhantes, incluindo cristais de quartzo, para decorar áreas de exibição. Nessas espécies, materiais chamativos funcionam como sinais visuais em estratégias de atração de parceiros.
Os autores, porém, recomendam cautela: os chimpanzés estudados são enculturados, o que pode reforçar a curiosidade por objetos incomuns.
Estudos com animais em vida livre, bonobos e gorilas serão essenciais para saber se a atração por cristais é um traço amplo ou ligado ao contexto de cativeiro.
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