O suspeito Dias Toffoli
Demora de mais de três meses para assumir suspeição faz questionar se os ministros merecem a prerrogativa de decidir em que casos atuar
Dias Toffoli (foto) levou pouco mais de três meses para admitir o que o Brasil inteiro já sabia: ele é suspeito para atuar no Supremo Tribunal Federal (STF) em processos que dizem respeito ao Banco Master, com o qual a empresa Maridt, de que o ministro é sócio, fez negócios.
Toffoli alegou “motivo de foro íntimo” para não participar dos julgamentos sobre a prisão de Daniel Vorcaro, dono do Master, e o pedido de instalação da CPI do Banco Master.
O ministro não detalhou o motivo, o que é um prerrogativa dos juízes do STF, e fez questão de destacar em seu despacho que “foram definitivamente afastadas, por decisão transitada em julgado, quaisquer hipóteses de suspeição ou de impedimento da minha atuação nos processos da chamada ‘Operação Compliance Zero'”, reproduzindo a nota do STF na qual os colegas o eximiram de impedimento para atuar no caso e, ao mesmo tempo, anunciaram que ele deixava a relatoria.
Suspeitos
É bom — e histórico — que Toffoli se declare impedido, ainda que não deixe o motivo claro.
Mas o fato de fazê-lo apenas meses depois de desgate pessoal e para o tribunal reforça as desconfianças de que os ministros do STF não têm se comportado da forma como deveriam, e nos levar a cogitar que talvez eles não mereçam a prerrogativa de decidir em que casos atuar.
O decano Gilmar Mendes manteve Ednaldo Rodrigues no cargo de presidente da CBF enquanto seu instituto, IDP, tinha contrato com a confederação esportiva.
Alexandre de Moraes se notabilizou por relatar processos nos quais é vítima, procurador e juiz ao mesmo tempo, e foi defendido pelos colegas.
Nesta semana, o ministro Flávio Dino, que tem uma rede de relações políticas, concedeu uma liminar ao governo do Piauí após passar o Réveillon com o governador Rafael Fontelles (PT).
Hoje mesmo, o ministro Cristiano Zanin, ex-advogado pessoal de Lula, despachou para negar o mandado de segurança que pretendia forçar a instalação da CPI do Banco Master.
Desconfiança
Todos esses ministros estão imbricados na política nacional, pela forma como são escolhidos, mas também se sentiram muito confortáveis nos últimos anos para frequentar empresários, como Vorcaro, que agora os assombra como protagonista do escândalo do Master.
O resultado é o pior nível de confiança da população no STF em toda a história, indicado por uma série de institutos de pesquisa.
Mas como os brasileiros poderiam confiar numa série de ministros suspeitos?
Leia mais: Com o Supremo, com tudo, de novo?
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Comentários (2)
Paulo Miranda Soares
12.03.2026 17:30Os juízes deveriam ser indicados em lista tríplice, formada somente por juízes de carreira!
tclsãopaulo
12.03.2026 13:20Teatrinho Federal!