EUA vão ignorar posição governo Lula sobre o PCC?
Promotor Lincoln Gakiya afirma que decisão de autoridades americanas sobre grupo criminoso não dependerá do governo brasileiro
O promotor de justiça Lincoln Gakiya (foto), do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MP-SP), afirmou nesta quarta-feira, 11, que os Estados Unidos não levarão em conta a posição do governo Lula sobre a eventual designação do Primeiro Comando da Capital (PCC) como organização terrorista.
A afirmação do promotor foi feita ao programa Estúdio i, da GloboNews.
Gakiya relatou ter se reunido com assessores do secretário de Estado americano, Marco Rubio, para explicar em detalhes o funcionamento da organização criminosa.
“Eles queriam conhecer o funcionamento do PCC”, disse.
Há mais de 20 anos investigando a facção, o promotor vive sob escolta policial 24 horas por dia devido às ameaças recorrentes que recebe.
PCC e o CV
O Departamento de Estado dos EUA afirmou, em nota enviada à imprensa, que o governo Trump considera o PCC e o Comando Vermelho (CV) como ameaça à segurança regional.
O comunicado foi encaminhado a veículos de imprensa em meio às discussões no governo americano sobre a possibilidade de classificar o CV e o PCC como organizações terroristas.
“Os Estados Unidos consideram que organizações criminosas brasileiras, incluindo o PCC e o CV, representam ameaças significativas à segurança regional em razão de seu envolvimento com tráfico de drogas, violência e crime transnacional”, afirmou o Departamento de Estado dos EUA, em resposta por escrito.
“Organização mafiosa”
Em agosto do ano passado, Gakiya afirmou que o PCC “já pode ser classificado como uma organização mafiosa“.
Segundo autoridades, o grupo criminoso já opera em mais de 28 países.
“Não, é impossível. O PCC já pode ser classificado como uma organização mafiosa. Não precisa mais da ostensividade da violência, exibindo fuzis e praticando crimes cinematográficos. Ele já passou dessa fase, está ganhando muito dinheiro, principalmente com o tráfico internacional de cocaína para a Europa. Esse dinheiro volta e precisa entrar na economia formal.
Antigamente, o PCC montava empresas de fachada, mais simples de detectar. Agora, as empresas são lícitas, têm funcionários, prestam serviços reais e têm capital da facção. É muito difícil dimensionar em que negócios o PCC está. É mais fácil dizer em qual ramo da economia ele não está”, afirmou
Leia mais: “PCC já pode ser classificado como uma organização mafiosa”, diz promotor
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Comentários (1)
Marian
11.03.2026 17:49Yes