Vorcaro é preso novamente. E o STF?
Mais que o fraudador principal atrás das grades, é imperioso trancar quem a ele ajudou e dele se serviu. É só ter coragem e cumprir a lei
Quem me conhece e me acompanha já se acostumou com minha rabugice e realismo, que muitos acreditam ser pessimismo. Por isso, não me emociono nem um pouco com a nova prisão de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e, ao que parece, dono de metade de Brasília também.
Em decisão do ministro “terrivelmente evangélico” André Mendonça, do STF, o ex-banqueiro, dessa vez, é investigado por planejar intimidar jornalistas, notadamente o colunista de O Globo, Lauro Jardim, supostamente contratando “capangas” para assaltar e “quebrar os dentes” do rapaz.
Pesa também contra Daniel Vorcaro a cooptação de um ex-diretor de Fiscalização do Banco Central que, segundo o ministro Mendonça, “Atuava como verdadeiro empregado” do ex-banqueiro. Lembrando que tudo isso se iniciou sob a gestão do ex-presidente do BC, Roberto Campos Neto.
A fila é extensa
Claro que, se devidamente considerado culpado após o devido processo legal, quero ver Daniel Vorcaro e todos que participaram deste esquema bilionário de fraudes financeiras atrás das grades. Mas quero, mais ainda, ver punidos com o mesmo rigor quem, até o momento, passa ao largo de possível tal destino.
Cito aqui, expressamente, os senadores Ciro Nogueira e Davi Alcolumbre, e o presidente do União Brasil, Antônio Rueda, que, segundo informações abundantes por toda a imprensa, formam a “primeira linha de defesa” de Daniel Vorcaro no Congresso Nacional.
Igualmente, me refiro aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, pois envolvidos em fatos e decisões que os tornam indubitavelmente suspeitos de atuarem, direta ou indiretamente, em favor de Vorcaro e do Banco Master.
Suprema ajuda
Contra os ministros Toffoli e Moraes, as relações próximas com funcionários do Banco – por si ou por familiares – como a advogada esposa de Xandão, Viviane Barci, saltam aos olhos e gritam cifras milionárias. Já o “amigo do amigo de meu pai” negociou um imóvel (o tal resort Tayayá) com o ex-banqueiro.
Atenção: a esposa de um ministro advogar para um investigado não é crime. Mas se o mesmo ministro se reunir com autoridades que podem interferir no processo, no caso o presidente do Banco Central, e essas reuniões forem colocadas sob sigilo, a suspeita se torna legítima.
De igual sorte, um ministro vender algo a algum investigado passa longe do código penal. Mas daí a se tornar relator de um processo e nele atuar para favorecer, em tese, o parceiro comercial, me parece totalmente indevido e, sim, pra lá de suspeito. Ambos precisariam ser afastados e investigados.
Cabem mais
Outro caso gritante envolve, claro, Gilmar Mendes, que não suporta ficar longe de um holofote. O colega de Toffoli simplesmente resgatou, após provocado, uma ação arquivada e proferiu uma das mais bizarras sentenças de “blindagem” em favor do amigo togado.
Por fim, mas não menos importante, temos o próprio presidente da República, Lula da Silva, que se reuniu “fora da agenda” com Daniel Vorcaro quando as fraudes já eram conhecidas e havia uma tentativa de socorro através da compra do Master pelo BRB.
Espero que a decisão de hoje de André Mendonça não seja uma simples esmola de migalhas para aplacar o furor público. Mais que o fraudador principal atrás das grades, é imperioso trancar quem a ele ajudou e dele se serviu. Os fatos abundam. É só ter coragem, hombridade e cumprir a lei.
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Comentários (3)
Liana Palacios
04.03.2026 13:25O texto é assinado por quem? Eu conheço muitos ai que nao compactuam com isso aí.
Carlos Renato Cardoso da Costa
04.03.2026 12:25Sem chance. Se o caso master servir pra lavar a sujeira de meia dúzia já será mais do que este país costuma ser capaz de fazer.
Clayton de Souza Pontes
04.03.2026 11:54Seria ingenuidade achar que todas as negociatas relatadas, que envolvem Toffoli, Moraes e Gilmar, são republicanas. Eles se blindam mutuamente porque sabem dos seus maus feitos