Crusoé: Toffolão em clima de Lava Jato
O sentimento que congela os atores deriva da incerteza quanto à sua permanência ou não nas próximas rodadas do jogo
A revelação do conteúdo do celular de Daniel Vorcaro deve criar nos próximos dias um clima político de Lava Jato.
Isso denota a paralisia do processo decisório diante de uma onda de denuncismo após as revelações sobre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli (foto).
O sentimento que congela os atores deriva da incerteza quanto à sua permanência ou não nas próximas rodadas do jogo.
O noticiário traz crises diárias e as condições de sustentação política muito rapidamente.
Essa cena se agrava pelo envolvimento de políticos em posições-chave para o funcionamento das instituições e pelo clima de competição autofágica que inevitavelmente se instala em situações como essa.
Lembrar uma anedota é importante para ilustrar o momento atual: dizem que dois caçadores estavam em uma mata quando encontram um leão. Um deles começa a correr e o outro diz que aquilo era inútil porque o leão era mais veloz do que os dois. O caçador mais à frente então se vira e diz: “Eu não preciso correr mais do que o leão, eu preciso correr mais do que você”.
No caso da Lava-Jato, havia entre os grupos políticos a ideia de que o escândalo iria derrubar seus adversários, mas não chegaria a eles. Isso explicaria por que a operação obteve tanto espaço para crescer à época.
Isso foi verdade até um momento. Depois, a operação cresceu tanto que acabou vitimando todo o status quo e abriu espaço para um outsider como foi Jair Bolsonaro…
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