Tudo lacrado para Toffoli
Caso do Banco Master parecia enfim avançar no STF, até que todos puderam ler mais uma decisão esquisita do relator do caso
Após semanas de paralisia no Supremo Tribunal Federal (STF), o caso do Banco Master parecia enfim avançar na manhã desta quarta-feira, 14, com a deflagração da segunda fase da Operação Compliance Zero. Mas a decisão do relator Dias Toffoli (foto) que a autorizou não é nada animadora.
Os investigadores prenderam preventivamente nesta quarta-feira, 14, o empresário Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Master, e buscaram provas sobre o envolvimento no caso do empresário Nelson Tanure e o investidor João Carlos Mansur, ex-presidente da gestora de fundos Reag Investimentos.
Mas tudo o que foi apreendido deve ser lacrado e entregue a Toffoli.
“Determino que todos os bens e materiais apreendidos por força do cumprimento da decisão por mim anteriormente proferidas e aqueles resultantes do cumprimento da presente, deverão ser lacrados e acautelados diretamente na sede do Supremo Tribunal Federal, até ulterior determinação”, diz na decisão Toffoli, que monopolizou as investigações em dezembro.
O sigilo sobre essa decisão específica foi retirado às 12h desta quarta, por determinação do relator.
Reclamações
No despacho, o ministro do STF também reclamou da demora dos investigadores para deflagar a operação, determinada por ele para ser cumprida, na segunda-feira, 12, em um período de 24 horas, e cobrou explicações.
O despacho é cheio de reclamações e recados como este:
“Causa espécie a esse Relator não só o descumprimento do prazo por mim estabelecido para cumprimento das medidas cautelares ordenadas, posto que resta claro que outros envolvidos podem estar descaraterizando as provas essenciais ao deslinde da causa, como a falta de empenho no cumprimento da ordem judicial para a qual a Polícia Federal teve vários dias para planejamento e preparação, o que poderá resultar em prejuízo e ineficácia das providências ordenadas.”
E este, no qual estão preservados os grifos de Toffoli:
“Observo, ainda, que eventual frustração do cumprimento das medidas requeridas decorre de inércia exclusiva da POLÍCIA FEDERAL, inclusive diante de INOBSERVÂNCIA EXPRESSA E DELIBERADA DE DECISÃO POR MIM PROFERIDA NA DATA DE 12.01.2026, QUE DETERMINOU A DEFLAGRAÇÃO DA PRESENTE FASE NO PRAZO DE 24 HORAS (e-doc. no 56, assinado às 14:52 horas e juntado aos autos às 15:15 horas), e que eventual prejuízo às demais medidas em decorrência do presente pedido são de inteira responsabilidade da autoridade policial.”
Desconforto
As palavras de Toffoli denotam, no mínimo, desconforto do ministro com os investigadores. E ampliam a impressão de que o caso do Banco Master é tratado de forma diferente dos outros.
Toffoli determinou a realização de uma inédita acareação entre investigador e investigado em pleno recesso judicial, mesmo contra instrução da Procuradoria Geral da República (PGR), e, após pressão, acabou entregando a condução da colheita dos depoimentos aos investigadores da PF, não sem entregar a eles uma lista de perguntas que deveria ser feita a Vorcaro.
Tudo isso ocorreu em meio à ação de influenciadores que saíram em defesa do Master, semeando dúvidas sobre a liquidação extrajudicial conduzida pelo Banco Central (BC), e suspeitas de que o ministro Alexandre de Moraes, cuja mulher tinha um contrato milionário com o banco de Vorcaro, teria buscado o presidente do BC, Gabriel Galípolo, para interceder pela instituição financeira.
Não bastasse, nesta semana veio a público que empresas de parentes de Toffoli tiveram como sócio um fundo ligado ao caso Master, e o ministro que conduz as investigações viajou com um dos advogados que atua no caso para ver a final da Libertadores da América no Peru, no ano passado.
Enfim, não é possível dizer que as investigações tenham exatamente avançado nesta quarta-feira.
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