O segredo dos tubarões imortais da Groenlândia
O tubarão-da-Groenlândia cresce lentamente, habita águas profundas e frias do Atlântico Norte e apresenta metabolismo reduzido
Os tubarões-da-Groenlândia, que podem viver perto de 400 anos, têm chamado atenção por apresentarem uma retina surpreendentemente preservada mesmo em idade avançada, o que levanta novas hipóteses sobre longevidade, visão em águas profundas e proteção contra o envelhecimento ocular.
O que torna o tubarão-da-Groenlândia tão longevo
O tubarão-da-Groenlândia cresce lentamente, habita águas profundas e frias do Atlântico Norte e apresenta metabolismo reduzido, o que parece desacelerar seus processos biológicos.
Estudos genéticos sugerem mecanismos eficientes de reparo de DNA, capazes de evitar o acúmulo de danos celulares ao longo de séculos.
Essas características fazem da espécie um modelo relevante para pesquisas de envelhecimento, pois os tecidos, incluindo olhos e outros órgãos sensíveis, mostram menor degeneração do que o esperado.
A combinação entre ambiente extremo e fisiologia lenta ajuda a explicar sua impressionante expectativa de vida.
500 year old Greenland shark pic.twitter.com/ujRVuROeFs
— Nature is Amusing (@NatureCanvas8) January 10, 2026
Como funciona a visão do tubarão-da-Groenlândia
A visão é analisada principalmente pela retina, onde a luz é convertida em sinais elétricos.
Exames de globos oculares coletados entre 2020 e 2024 revelaram baixa taxa de morte celular associada à idade, sem sinais amplos de degeneração típica de envelhecimento.
A rodopsina, proteína essencial para enxergar em pouca luz, permanece ativa e ajustada para captar luz azul, mais presente em grandes profundidades.
O grande tamanho do globo ocular, comparável ao de uma bola de beisebol, amplia a captação de luz e favorece a visão em ambiente escuro.
O tubarão-da-Groenlândia é considerado cego
Parasitas fixados na superfície dos olhos podem reduzir o campo de visão e distorcer a entrada de luz, gerando a ideia de que esses animais seriam quase cegos.
No entanto, a integridade das estruturas internas e a atividade normal de proteínas sensíveis à luz indicam um sistema visual funcional.
A visão provavelmente não é o principal sentido da espécie, mas ainda auxilia na orientação espacial e na percepção de luminosidade geral.
Olfato e outros estímulos sensoriais complementam esse quadro, permitindo que o tubarão encontre alimento e se desloque nas profundezas.

Quais impactos esses estudos podem ter na saúde humana
Os resultados sobre a retina do tubarão-da-Groenlândia interessam à oftalmologia e à geriatria, sobretudo na prevenção de doenças como degeneração macular e glaucoma.
Pesquisadores buscam entender como células oculares se mantêm estáveis por tanto tempo e como isso poderia inspirar futuras terapias.
A partir desse modelo biológico de envelhecimento lento, surgem linhas de investigação que incluem:
- Identificação de genes ligados à proteção contra danos oculares ao longo da vida.
- Mapeamento de proteínas que sustentam a estabilidade da retina em longo prazo.
- Desenvolvimento de terapias que imitem ou estimulem mecanismos naturais de reparo celular.
O que ainda falta descobrir sobre o tubarão-da-Groenlândia
A vida em regiões remotas e profundas dificulta o acompanhamento dessa espécie e limita amostras de diferentes idades.
Ainda não se sabe com precisão como o reparo de DNA é regulado ao longo da vida nem até que ponto a visão influencia comportamento, navegação e caça.
Pesquisadores também investigam possíveis declínios visuais sutis em indivíduos muito antigos e os efeitos das mudanças climáticas no Ártico.
Com novas tecnologias de imagem e genética, espera-se ampliar o entendimento sobre como esses animais preservam tecidos por séculos.
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