Estudo expõe o lado sombrio de quem só faz o mínimo no trabalho
O fenômeno do chamado desistência silenciosa ganhou espaço nas conversas sobre trabalho nos últimos anos
O fenômeno do chamado desistência silenciosa ganhou espaço nas conversas sobre trabalho nos últimos anos e, em 2025, continua a despertar debates em empresas de diferentes setores.
Descrevendo a atitude de cumprir apenas o que está previsto no contrato, sem engajamento extra, sem horas adicionais e sem envolvimento além do mínimo necessário, o fenômeno funciona como um afastamento silencioso muitas vezes difícil de detectar de imediato.
Desistência silenciosa e psicopatia têm alguma relação apontada pela ciência?
A desistência silenciosa passou a ser relacionada, em algumas pesquisas, a traços conhecidos como parte da “tríade sombria” da personalidade: psicopatia, narcisismo e maquiavelismo.
O estudo da Dra. Hanfia Rahman indica que pessoas com níveis mais altos de traços psicopáticos e narcisistas têm maior propensão a adotar condutas de retração silenciosa no trabalho, especialmente em contextos de frustração contínua.

No contexto da pesquisa, a chamada psicopatia cotidiana não está ligada necessariamente a violência ou criminalidade, mas a um estilo mais frio, com baixa empatia e foco intenso nas próprias necessidades.
Indivíduos com esse perfil tendem a sentir menos culpa ao quebrar “regras não escritas” do ambiente profissional, vendo como natural reduzir o ritmo e se limitar ao contrato quando avaliam que o contexto não os favorece.
Desistência silenciosa é sinônimo de transtorno de personalidade?
A desistência silenciosa não é, por si só, evidência de psicopatia ou narcisismo, nem um diagnóstico clínico. Há diversos motivos comuns para a adoção desse comportamento, ligados tanto à organização quanto às condições de vida do trabalhador, como sobrecarga, frustração e tentativa de proteção da saúde mental.
Assim, a presença do fenômeno em um time não autoriza diagnósticos precipitados, mas sugere que certos traços de personalidade podem tornar mais fácil a escolha por se afastar silenciosamente.
Pessoas com baixa empatia e maior senso de direito tendem a racionalizar esse recuo com mais rapidez, apoiando-se em mecanismos de desengajamento moral, como a ideia de que “a empresa também não cumpre sua parte”.
A psicóloga Gabriela Affonso explicou em seu canal sobre os tipos existentes de transtorno de personalidade, em um vídeo que já soma quase 60 mil visualizações:
Como identificar sinais de desistência silenciosa no ambiente de trabalho?
Gestores e colegas relatam dificuldade em reconhecer quando um profissional passou do engajamento pleno à desistência silenciosa, porque, formalmente, as obrigações continuam sendo cumpridas. Ainda assim, alguns sinais recorrentes podem indicar esse movimento gradativo e servir de alerta para intervenções de gestão mais precoces.
- Redução brusca de participação em projetos voluntários ou tarefas extras.
- Desaparecimento de iniciativas espontâneas, como propor melhorias ou sugerir ideias.
- Comunicação mais seca, limitada apenas ao essencial.
- Evitar qualquer atividade fora da descrição de cargo, mesmo que simples.
- Recusa sistemática a horas extras, eventos internos ou treinamentos opcionais.
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