Domiciliar para Heleno é prenúncio do futuro de Bolsonaro
Jair Bolsonaro, sabidamente, sofre com as sequelas da facada que recebeu do homicida Adelio Bispo em Juiz de Fora, em setembro de 2018
Condenado a mais de 21 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado e outros crimes, e preso no Comando Militar do Planalto, em Brasília, o general Augusto Heleno, com 78 anos, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para cumprir sua pena em casa, devido à idade avançada e problemas de saúde, sendo o mais grave o Mal de Alzheimer.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, manifestou-se hoje, sexta-feira, 28, a favor da prisão domiciliar do ex-ministro de Jair Bolsonaro, também condenado – a mais de 27 anos de reclusão – e preso na Polícia Federal do Distrito Federal. Heleno é portador da doença, segundo atestado médico, desde 2018.
Se aceito pelo relator da ação penal 2668, o ministro Alexandre de Moraes, o pedido de prisão domiciliar para Augusto Heleno, tudo indica que outros réus, como o general Braga Netto, com 69 anos, e o próprio ex-presidente da República, com 70 anos, poderão, senão em curto, mas a médio prazo, gozar do mesmo benefício.
Quem pode, pode
Se Braga Netto não é portador de doenças graves, Jair Bolsonaro, sabidamente, sofre com as sequelas da facada que recebeu do homicida Adelio Bispo em Juiz de Fora, em setembro de 2018. O “mito” já passou por cirurgias e intervenções pontuais após o episódio, e precisa manter tratamento medicamentoso e alimentar.
Qualquer pessoa com idade avançada e problemas de saúde pode solicitar e receber, como medida alternativa à prisão em estabelecimento carcerário regular, a chamada “Prisão Domiciliar”. O igualmente ex-presidente Fernando Collor, por exemplo, cumpre pena em sua cobertura à beira-mar, em Maceió, capital de Alagoas.
O Brasil possui uma população carcerária superior a 700 mil detentos. Mais de 30% são “presos provisórios”, ou seja, pessoas que nem sequer receberam a pena definitiva de seus crimes, com o tal “trânsito em julgado” da sentença condenatória. Muitos deles, inclusive, são idosos e apresentam graves problemas de saúde.
Porém, são presos anônimos, sem advogados estrelados e amigos poderosos em Brasília. Como não têm acesso aos gabinetes dos supremos togados, mofarão – até que a morte os carregue – nas masmorras medievais brasileiras, salvo raríssimos casos, provando que o Brasil ou é o reino da impunidade ou o dos amigos da corte.
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